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Juros futuros sobem com rebaixamento do JPMorgan e cenário eleitoral

Os juros futuros renovaram máximas no período da tarde desta terça-feira (11), com avanço mais forte nos vértices intermediários. Operadores citaram a disputa eleitoral acirrada, a saída de fluxo estrangeiro após o JPMorgan rebaixar a recomendação do Brasil de overweight para neutro e a pressão adicional vinda do dólar, do petróleo e do IPCA de julho.

No fechamento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 ficou em 13,755%, ante 13,746% no ajuste de segunda-feira. O DI para janeiro de 2029 subiu para 14,18%, de 14,091%. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2031 avançou para 14,41%, ante 14,357%.

Segundo operadores, os vértices intermediários chegaram a subir mais de 10 pontos-base ao longo da tarde. O economista-chefe da Nomos, Beto Saadia, atribuiu o aumento do prêmio de risco na curva à saída de fluxo estrangeiro após o rebaixamento do Brasil pelo JPMorgan. No mercado acionário, Bank of America (BofA), UBS BB e Morgan Stanley lideravam a ponta vendedora.

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Ao justificar a mudança para recomendação neutra, o JPMorgan afirmou que os cortes na Selic estão chegando ao fim, que o crescimento econômico está desacelerando, que o ciclo de crédito está se deteriorando e que a perspectiva política segue incerta, com potencial de elevar a volatilidade dos ativos.

As pesquisas CNT/MDA e Futura mostraram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança das intenções de voto para primeiro e segundo turno. Para um estrategista de uma casa estrangeira, esse foi o principal gatilho para o aumento dos prêmios de risco.

A operadora de câmbio da One, Fernanda Campolina, avaliou que o dólar mais pressionado diante das incertezas eleitorais e o agravamento das tensões geopolíticas no cenário externo afetam combustíveis e preços internos, influenciando os juros. Ela também observou que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve em aberto a possibilidade de novo corte em setembro ou de manutenção da Selic em 14% ao ano.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,07% em julho, ante 0,16% em junho, mas ficou acima da mediana de 0,03% do Projeções Broadcast. O Bradesco destacou que a surpresa para cima se concentrou em alimentação. O gerente de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fernando Gonçalves, afirmou que o El Niño e as mudanças climáticas representam risco relevante para o comportamento futuro dos preços de alimentos no Brasil.

Para o UBS BB, o IPCA deve registrar deflação em agosto e reacelerar no fim do ano por causa do fenômeno climático. No mercado de juros, a combinação entre incerteza política, fluxo externo, câmbio e inflação manteve a curva de DI em alta nesta terça-feira (11).

Fonte: Estadão Conteúdo

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