Está suspensa, a partir desta quinta-feira (3), a importação de carne bovina e de aves de criação procedentes do Brasil pela União Europeia.
De acordo com a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que seus produtos atendem às regras do bloco relacionadas ao controle do uso de antibióticos. O órgão afirmou que aguarda garantias das autoridades brasileiras de que os produtos cumprem as normas sanitárias.
A suspensão também inclui ovos e mel. As exportações poderão ser retomadas após a comprovação da conformidade com as exigências da União Europeia. Segundo o R7, o governo está colocando em prática novos procedimentos para reforçar o controle do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva.
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Complexidade das exigências da União Europeia e prejuízo de US$ 1,8 bilhão
O especialista em internacionalização e sócio da consultoria de comércio internacional Intrust Associates, Guilherme França, ouvido pelo R7, afirmou que a dificuldade não está na falta de iniciativa para se adequar às normas, mas na complexidade do processo de aprovação das medidas por parte da UE.
“Com um rebanho dessa dimensão e uma cadeia de fornecedores tão extensa, comprovar conformidade em escala exige tempo, auditorias e uma infraestrutura de certificação que ainda está sendo construída. A própria Comissão Europeia reconhece essa complexidade”, afirmou.
O especialista também ressaltou que o bloco já informou que “o prazo para a retomada das exportações varia de acordo com o ciclo de produção de cada espécie”. Enquanto isso, a suspensão deve provocar prejuízo anual de US$ 1,8 bilhão ao agronegócio, aumentando a pressão sobre o Ministério da Agricultura.
De acordo com o R7, a pasta atua em conjunto com a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) para retomar as exportações à União Europeia. “É um mercado estratégico para o Brasil, principalmente pelo alto valor agregado e pelo perfil específico dos cortes comercializados”, afirmou a entidade.
Brasil lidera exportações agrícolas para a União Europeia
Segundo o R7, a União Europeia está entre os principais destinos das exportações brasileiras e concentra uma parcela relevante das vendas do agronegócio nacional. Dados citados pelo portal mostram que, entre 2021 e 2025, o comércio de serviços entre o Brasil e o bloco europeu cresceu 71%, alcançando € 10 bilhões.
Os produtos agrícolas responderam por 42% das exportações brasileiras para a União Europeia em 2025. Já combustíveis e produtos da mineração representaram 27% das vendas, somando € 11,9 bilhões, enquanto minerais, como o minério de ferro, completaram a pauta exportadora.