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Espécies ameaçadas que vivem no Litoral ganham exposição internacional em Antonina

Exposição deve ficar até o dia 18 de setembro no Armazém Macedo.

Por: Gabriela Perecin
Publicado em:
Atualizado em 9 de setembro de 2026, 17h08

Quatro animais ameaçados da Mata Atlântica foram retratados por artistas de nove países em uma exposição internacional em Antonina. O papagaio-de-cara-roxa, o papagaio-de-peito-roxo, o mico-leão-da-cara-preta e a jacutinga integram a mostra “Espécies de Animais Ameaçados da Mata Atlântica no Paraná”, em cartaz no Armazém Macedo até 18 de setembro. A visitação é gratuita.

As obras transformam essas espécies em personagens da exposição e levam para o público histórias que normalmente ficam restritas a pesquisas. Foto: SPVS

Eles têm histórias diferentes, mas enfrentam um problema em comum: a necessidade de preservar os ambientes naturais dos quais dependem para sobreviver. Nas obras, são retratados sob diferentes interpretações de artistas do Brasil, Polônia, Alemanha, Índia, Reino Unido, Estados Unidos, Equador, Venezuela e Nova Zelândia.

A iniciativa é da SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) e da ABUN (Artists & Biologists Unite for Nature), rede global que conecta arte e conservação da biodiversidade.

A escolha das pinturas coloca em evidência características diferentes. Enquanto o papagaio-de-cara-roxa (classificado como “Quase Ameaçada”) representa uma espécie diretamente ligada ao litoral paranaense, o papagaio-de-peito-roxo (classificado como “Vulnerável”) chama atenção para as áreas com araucárias.

O mico-leão-da-cara-preta mostra a importância dos fragmentos florestais para a fauna, enquanto a jacutinga tem papel na dispersão de sementes. Ambos são classificados como “em perigo” na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção.

Do conhecimento científico à conscientização

As obras foram criadas em 2016 por artistas especializados em natureza e vida selvagem. De acordo com a SPVS, mais do que uma mostra artística, a iniciativa simboliza o encontro entre ciência, arte e conservação, aproximando o público das histórias de proteção que vêm garantindo sua sobrevivência ao longo das últimas décadas.

A proposta é aproximar os visitantes dos animais e chamar atenção para os desafios enfrentados por eles. Foto: SPVS

Para Clóvis Borges, diretor-executivo da SPVS, a iniciativa ajuda a levar para fora do ambiente científico histórias de animais que dependem de ações permanentes de proteção. “Grande parte desse trabalho acontece longe dos holofotes, por meio de pesquisas, monitoramentos e ações permanentes de conservação”, afirmou.

Segundo Kitty Harvill, cofundadora da ABUN, a mostra evidencia a dimensão dos desafios enfrentados. “Esta exposição apresenta símbolos icônicos da Mata Atlântica, espécies que a SPVS trabalha com muita atenção para proteger. Essa floresta sofreu uma devastação imensa ao longo dos últimos séculos”, considerou.

Espécies têm o Litoral como casa

Apesar de retratados por artistas de diferentes partes do mundo, os animais têm relação com ambientes do Litoral do Paraná. Segundo a SPVS, o mico-leão-da-cara-preta, por exemplo, ocorre no Parque Nacional do Superagui, em Guaraqueçaba, onde está uma das duas populações conhecidas, com cerca de 400 indivíduos estimados no total.

O papagaio-de-cara-roxa tem uma relação ainda mais direta com a região e pode ser encontrado em municípios como Guaraqueçaba e Guaratuba. A ave também utiliza ilhas cobertas por floresta na baía de Paranaguá para reprodução. Estima-se que sua população seja de cerca de 9.400 indivíduos.

A jacutinga é outro exemplo. A ave fica em áreas preservadas, incluindo a Reserva Natural Guaricica, em Antonina, município que recebe a exposição. Na sequência, as obras devem seguir para a Reserva Guaricica.

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