O candidato ao Senado Carlos Bolsonaro evita entrevistas, sabatinas e debates. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, escolheu Santa Catarina como território eleitoral para tentar uma vaga no Congresso Nacional. O problema é que, até aqui, não demonstra a mesma disposição para conversar diretamente com os catarinenses.
A distância entre Carlos Bolsonaro e a população do Estado parece aumentar à medida que a eleição se aproxima. Embora tenha defendido uma relação antiga com Santa Catarina, o candidato tem evitado justamente os espaços em que poderia ser questionado por eleitores, jornalistas e adversários.
Carlos Bolsonaro evita entrevistas e comportamento incomoda até aliados
Carlos Bolsonaro evita entrevistas e essa postura começa a gerar questionamentos sobre sua representatividade. O candidato tem concentrado sua participação em eventos promovidos pelo próprio partido, o PL, muitas vezes ao lado de lideranças políticas regionais, numa estratégia clara de aproximação com diferentes regiões do Estado.
Mas participar de eventos partidários é uma coisa. Enfrentar perguntas, apresentar propostas e explicar ao eleitor o que pretende fazer durante oito anos no Senado é outra. E é justamente essa ausência que chama atenção.
Carlos Bolsonaro tem o desafio de convencer o eleitorado catarinense que tem elos com o estado, mas esbarra no erro de não falar com milhões de catarinensesA falta em entrevistas, sabatinas e debates também começa a provocar desconforto dentro do próprio grupo político do PL. Carlos Bolsonaro vem sendo carregado pelo partido em Santa Catarina como uma espécie de compromisso político com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em ano eleitoral, qualquer candidato que se preze busca visibilidade. E não há nada de errado nisso. Pelo contrário: disputar uma eleição significa apresentar ideias, defender propostas e convencer o eleitor de que se está preparado para exercer o cargo.
As novas mídias, especialmente as redes sociais, ampliaram as possibilidades de comunicação. Mas rádio, televisão, jornais e debates continuam sendo instrumentos fundamentais para que o eleitor possa comparar candidatos e fazer escolhas.
A razão é simples: quanto maior a exposição, maior a possibilidade de alcançar quem ainda está indeciso. Por isso, a estratégia de Carlos Bolsonaro chama atenção. Pela primeira vez, ao menos até aqui, um nome que disputa uma das duas vagas de Santa Catarina ao Senado parece escolher o caminho inverso: quanto mais a eleição se aproxima, maior é a distância do candidato em relação à realidade cotidiana do Estado.