O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou nesta terça-feira (15) que vai entrar com um mandado de segurança no STF para tentar obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a instalar uma CPI sobre as relações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O requerimento conta com 41 assinaturas de parlamentares e, segundo Vieira, está há seis meses na mesa de Alcolumbre.
“Ainda hoje vou entrar com mandado de segurança, novamente, pedindo que o Supremo determine ao presidente da Casa a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito específica para apurar a relação dos ministros com o Daniel Vorcaro”, afirmou durante reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH).
Vieira disse que Alcolumbre não tem respondido a ofícios, despachos ou telefonemas relacionados ao pedido.
Parlamentares da oposição se reuniram nesta terça-feira (15) na Comissão de Direitos Humanos do Senado para assistir à sessão do Supremo que decidirá se Alexandre de Moraes será investigado.
Alessandro Vieira afirmou que o Senado não pode se omitir diante das suspeitas envolvendo integrantes do STF.
“Essa Casa não pode se omitir da sua responsabilidade”, declarou o senador.
Segundo ele, a CPI serviria para esclarecer eventuais relações de ministros e familiares com Vorcaro. “O que nós estamos defendendo é investigação. É justiça e lei para todo mundo”, afirmou Vieira.
O senador tenta abrir investigações sobre integrantes de tribunais superiores desde o início de seu mandato.
Em 2019, apresentou o requerimento da chamada CPI da Toga, que não chegou a ser instalada, além de pedidos de impeachment de Toffoli e Moraes.
“Os fatos que foram apontados em 2019 por mim e pelos 32 senadores e senadoras que assinaram o pedido de CPI permanecem. E a eles foram se somando diversos outros casos”, afirmou Alessandro Vieira.
Relator da CPICRIME, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), concede entrevista coletiva para falar da leitura do relatório final. Foto: Geraldo Magela/Agência SenadoVieira também foi relator da CPI do Crime Organizado no Senado Federal.
No parecer final, o senador chegou a propor o indiciamento do ministro Alexandre de Moraes, mas o relatório não foi aprovado pela comissão.
Nesta terça, relacionou as suspeitas envolvendo o Banco Master aos fatos que havia apontado naquele colegiado.
“Tudo aquilo que a gente materializou no relatório da CPI do Crime Organizado está em discussão agora no STF. É uma infiltração profunda do crime organizado que chegou às mais altas Cortes”, disse Vieira.
CPI do Master; pedido conta com apoio de senadores de diversos partidos
O requerimento da nova CPI tem assinaturas de 41 senadores de diferentes partidos, entre eles Sergio Moro (União-PR), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Tereza Cristina (PP-MS), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Rogério Marinho (PL-RN), Damares Alves (Republicanos-DF) e Efraim Filho (União-PB), entre outros.
Vieira afirmou que pretende esgotar os instrumentos legais para provocar uma decisão sobre a instalação da comissão.
O senador criticou o que classificou como omissão e cumplicidade de autoridades diante de suspeitas envolvendo as instituições brasileiras e afirmou que a sociedade terá oportunidade de avaliar a postura dos parlamentares nas próximas eleições.
“A covardia não merece voto. A cumplicidade não merece voto. E as pessoas estão verificando, com total transparência, quem é cúmplice e quem tenta combater o criminoso”, concluiu Alessandro Vieira.