O governo Donald Trump alegou que o Brasil “falhou em confrontar” o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), dizendo que as duas facções transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína.
As duras críticas do governo norte-americano sobre a atuação brasileira no combate ao tráfico de drogas e a organizações criminosas foram retratadas em documento encaminhado ao Congresso americano pela administração de Trump.
De acordo com a gestão do republicano, as facções PCC e CV, classificadas pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras em maio deste ano, representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacional. Neste contexto, o Brasil precisa adotar “medidas agressivas” para enfrentá-las e impedir sua expansão.
“Embora muitos governos no Hemisfério Ocidental estejam tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil tem falhado em enfrentar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho [PCC e CV], que transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína”, declarou o governo Trump no comunicado.
“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança mundial, e o governo brasileiro precisa, com urgência, adotar medidas enérgicas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se expandam e se fortaleçam”, complementou.
Através da medida que classificou PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, as possibilidades de atuação do governo norte-americano contra as facções e seus integrantes ampliaram.
O Brasil, no entanto, não está entre as 23 nações formalmente identificadas pelos EUA como principais países de trânsito ou produtores de drogas ilícitas: na América do Sul, aparecem Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.
Em contraste com críticas ao combate a PCC e CV, governo Trump elogia ações de aliados sul-americanos
Na mensagem, o governo de Donald Trump elogiou estes países, que atualmente são governados por aliados do mandatário norte-americano.
Javier Milei, presidente da Argentina, e Donald Trump.Foto: Reprodução/Wikipedia/ND Mais“Após décadas de governos socialistas incompetentes, os Estados Unidos saudaram a escolha democrática do povo boliviano nas eleições de 2025 e a oportunidade de abrir um novo capítulo nas relações entre os Estados Unidos e a Bolívia sob a presidência de Rodrigo Paz”, declarou.
“O povo da Colômbia fez a escolha corajosa de eleger Abelardo de la Espriella como presidente. Ele se comprometeu a liderar uma campanha agressiva contra o cultivo de coca e a produção de cocaína, que atingiram níveis recordes sob as políticas socialistas fracassadas de seu antecessor [Gustavo Petro]”, complementou a gestão do republicano.
Em relação à Venezuela, o documento destacou: “graças à prisão e remoção — realizadas pela minha administração — do ex-ditador ilegítimo e narcotraficante Nicolás Maduro, já estamos vendo os resultados de uma cooperação crescente com o governo interino do país no combate aos cartéis, incluindo a eliminação de Niño Guerrero, líder do Tren de Aragua”.
A retirada da Venezuela da classificação de países que não cumpriam com o controle de entorpecentes se deu porque, de acordo com Trump, as medidas adotadas sob a presidência interina de Delcy Rodríguez foram positivas.
“No Peru, saúdo igualmente o compromisso da nova presidente, Keiko Fujimori, de trabalhar com os Estados Unidos e outros aliados para destruir os criminosos que afligem o Peru e reduzir o fluxo de cocaína com destino aos Estados Unidos. Também elogio três dos maiores aliados dos Estados Unidos em nosso hemisfério — Argentina, Equador e El Salvador — por sua liderança, determinação e sucesso na luta contra o narcoterrorismo”, destacou o governo norte-americano, citando países governados por três aliados de Trump: Javier Milei, Daniel Noboa e Nayib Bukele.