O silêncio e a falta de posicionamento firme do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, sobre a disputa pela presidência do Senado têm provocado insatisfação entre parlamentares da legenda e podem desencadear uma crise interna, com a possibilidade de uma debandada de deputados e senadores para outras agremiações. A eleição para o comando da Casa está prevista para fevereiro, quando os novos senadores eleitos tomarão posse no Congresso Nacional.
O desgaste ocorre em duas frentes. A primeira envolve a cobrança dos eleitores, que, nas urnas, ampliaram a representação da direita no Congresso. Somente o PL elegeu 29 senadores. A expectativa desse eleitorado é que os parlamentares atuem de forma mais contundente em pautas consideradas prioritárias, entre elas os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além da apuração de possíveis irregularidades e questionamentos relacionados à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A segunda frente de pressão parte dos próprios parlamentares, especialmente daqueles que adotaram discursos mais radicais durante a campanha eleitoral. Entre as promessas feitas aos eleitores estava justamente o enfrentamento ao STF, incluindo a defesa do impeachment de ministros. Agora, uma semana após as eleições, esses mesmos representantes cobram dos colegas uma postura firme e coerente com os compromissos assumidos durante a campanha.
Entre as críticas direcionadas a Valdemar, deputados e senadores afirmam que o dirigente teria hesitado em lançar uma candidatura própria do PL à presidência do Senado. Também circulou entre parlamentares a informação de que ele teria conversado com o ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a possibilidade de apoiar a recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil) ao comando da Casa, em uma eventual negociação envolvendo o abrandamento das condições de prisão de Bolsonaro. A hipótese, segundo relatos, não teria sido aceita pelo ex-presidente nem por integrantes da bancada.
A possibilidade de um acordo provocou desconforto entre parlamentares, que passaram a defender publicamente o lançamento de uma candidatura própria, com apoio ao senador Rogério Marinho (PL-RN). Alguns também admitem a possibilidade de deixar o partido e buscar espaço em outras legendas caso a direção nacional não reveja sua postura.
A disputa pela presidência do Senado deve ganhar força nos próximos quatro meses, período que antecede a eleição para o comando da Casa. Davi Alcolumbre, que busca permanecer no cargo, conta com o apoio do presidente Lula e, segundo informações que circulam nos bastidores de Brasília, também teria a simpatia de parte expressiva dos ministros do STF. Até o momento, entretanto, não há manifestações públicas dos ministros nesse sentido.
Disputa também envolve a Câmara
A insatisfação dos parlamentares não se restringe ao Senado. Deputados e senadores eleitos e reeleitos também querem discutir a posição do PL na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados.
Entre os representantes da legenda, há resistência à possibilidade de apoiar novamente Hugo Motta (Republicanos-PB) para comandar a Casa. Atualmente, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) aparece entre os nomes cotados para disputar o cargo.
Na última semana, o deputado Zé Trovão (Marco Antônio Pereira Gomes – PL-SC) também se manifestou, colocando-se à disposição do partido para uma eventual candidatura à presidência da Câmara.
Em conversa com parlamentares em Brasília, a reportagem da Agência Brasil News (ABN) identificou um ambiente de descontentamento com a condução política de Valdemar Costa Neto. Alguns representantes demonstraram insatisfação com declarações recentes do dirigente e questionaram sua capacidade de articulação com outras legendas para reunir apoio nas disputas pelas duas principais Casas do Congresso Nacional.
Em conversas reservadas, parlamentares chegaram a utilizar expressões duras para criticar o presidente nacional do PL, demonstrando que o desgaste ultrapassa divergências pontuais e pode se transformar em um problema político para a direção da legenda.