Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Carro popular pode voltar com isenção de IPI até 2026

A volta do carro popular está mais próxima de se tornar realidade. O governo federal prepara para a próxima semana o anúncio de dois novos programas com foco em estimular a indústria automotiva nacional: o aguardado IPI Verde, que premiará veículos com baixa emissão de poluentes, e o inédito Programa Carro Sustentável, voltado à redução de impostos para modelos 1.0 flex de baixo custo.

A jornalista Marli Olmos, do Valor Econômico, foi a primeira a revelar as informações sobre o novo programa. Segundo ela, o “Carro Sustentável” prevê a redução ou até isenção do IPI para veículos nacionais com motor 1.0 aspirado, potência de até 90 cv, boa eficiência energética e baixo nível de emissão de poluentes.

Veja abaixo a lista completa com os modelos que seriam beneficiados:

Marca Modelos Elegíveis
Fiat Mobi, Argo e Cronos
Volkswagen Polo e Tera
Chevrolet Onix e Onix Plus
Renault Kwid
Peugeot 208
Citroën C3 e Basalt
Hyundai HB20 e HB20S


renault-kwid-e-tech---destaque-2


BYD Dolphin Mini (BR)

Elétricos de fora

Apesar do foco ambiental do programa, os carros 100% elétricos não estão entre os beneficiados. A ausência chama atenção, especialmente considerando que modelos como o Renault Kwid E-Tech, vendido promocionalmente por R$ 99.990, e o BYD Dolphin Mini, com preço em torno de R$ 122 mil, já disputam espaço entre os veículos mais acessíveis do mercado. Ambos são totalmente isentos de emissões, mas ainda assim seguem sendo tributados normalmente.

Além dos elétricos, também ficam de fora do Programa Carro Sustentável os modelos com motor turbo, os que ultrapassam 90 cv de potência, os importados e aqueles que não atendem aos critérios mínimos de reciclabilidade de materiais ou eficiência energética.



VW Tera MPI MT (3)

Foto de: Volkswagen

Renúncia fiscal em troca de estímulo à indústria

Com a Selic elevada e crédito caro, o governo aposta que a renúncia no IPI possa ser compensada por tributos sobre o aumento das vendas — além de incentivar a produção nacional. A regulamentação também deve definir se o desconto será repassado automaticamente ao consumidor ou apropriado por montadoras e locadoras, que já concentram mais de 90% das vendas de modelos como Mobi e Kwid.

A proposta de um carro acessível com incentivo do Estado, entretanto, não é algo novo no país. O primeiro movimento nesse sentido ocorreu em 1965, quando o governo federal criou um programa de incentivo com subsídios e financiamento direto pela Caixa Econômica Federal. Os modelos, no entanto, deveriam ter apenas o essencial para rodar.



Os populares DKW Pracinha, VW Pá-de-boi e Renault Teimoso (Foto - Jason Vogel)

Os populares DKW Pracinha, VW Pá-de-boi e Renault Teimoso (Foto – Jason Vogel)

Foto de: Motor1.com

Foi assim que surgiram veículos como DKW Pracinha, Simca Profissional, Willys Teimoso e o icônico Volkswagen Fusca Pé de Boi. Eram versões simplificadas, sem frisos, forrações, tampa do porta-luvas, ou até marcadores de seta e combustível. A ideia era que o carro fosse completado aos poucos pelo próprio dono. Apesar disso, o alto custo ainda afastava o consumidor médio e a estratégia não teve o alcance esperado.

Durante os anos 1970 e 1980, o país enfrentou recessão, crise do petróleo, hiperinflação e sucessivas mudanças de moeda, o que fragilizou ainda mais a indústria automotiva. A virada só veio com o anúncio feito pelo então presidente Fernando Collor de Mello, em 1990, que reduziu o IPI para carros com motor de até 999 cm³. O impulso ajudou o Fiat Uno Mille, que já existia desde 1984 a ganhar nova vida como opção básica.



Fiat Mille

Foto de: Fiat

Na mesma década, o Brasil ainda viveria outra cena curiosa: com o pedido de Impeachment e a consequente renúncia de Collor em 1992, Itamar Franco assumiu a presidência e decidiu reviver o Volkswagen Fusca. Com isso, o mercado popular passou a abrigar desde modelos rudimentares até produtos mais modernos, como o recém-chegado Chevrolet Corsa, lançado no fim de 1994.

A categoria continuou forte até a década de 2010, quando as constantes crises financeiras e as novas regras de emissões e segurança levaram as montadoras a retirarem seus modelos mais antigos do portfólio, aumentando o ticket médio de sua gama de produtos. Durante os primeiros anos de 2020, ainda, o setor passou por uma crise de fornecimento de insumos de microchips, encarecendo ainda mais o valor dos carros.



Fiat Mobi azul

Fiat Mobi foi lançado por R$ 31.900 em 2016, hoje parte de R$ 80.990

Foto de: Fiat

É o caso do Fiat Mobi, por exemplo. Foi lançado em abril de 2016, há menos de 10 anos. Seus preços na época partiam de R$ 31.900 para a versão Easy. Para termos um carro minimamente semelhante com o Mobi 2025, era necessário subir para a versão Easy On, de R$ 35.800, para acrescentar ar-condicionado, direção hidráulica, ajuste ade altura para volante e banco do motorista e rodas de aço de 14″.

Atualizando o preço do Fiat Mobi Easy On lançado em 2016 para preços atuais, corrigimos o número pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de lá para cá. O IPCA acumulado de abril de 2016 a maio de 2025 foi 58,22%. Se o Mobi tivesse seguido a evolução de preços pelo índice, custaria hoje R$ 56.642. O aumento de preço do lançamento até maio de 2025 foi de 126,23%. Ou seja, seu valor subiu mais que o dobro do IPCA.



Comparativo Renault Kwid x Citroën C3 x VW Polo Track

Um retorno possível, mas com limitações

Agora, com o Carro Sustentável, o governo tenta reativar esse segmento em outro contexto. A diferença é que, desta vez, os critérios são técnicos e ambientais, e não há uma exigência clara de redução de preços ao consumidor final. Mais do que democratizar o acesso ao carro novo, a medida parece ter como objetivo principal estimular a produção e o volume de vendas, especialmente no canal direto com frotistas.

O anúncio oficial deve ser feito nas próximas semanas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a expectativa é que as medidas estejam em vigor até o fim de 2026, quando o novo regime tributário deve entrar em vigor, com a possível criação de um Imposto Seletivo sobre o consumo.

Fonte: Valor Econômico

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

EUA aumentam pressão contra Cuba com novas sanções econômicas

Em meio a guerra no Irã, os Estados Unidos (EUA) voltaram a aumentar a pressão…

Gás do Povo: governo fixa data de pagamento no dia 10 de cada mês

O benefício do Programa Gás do Povo será pago sempre no dia 10 de cada…

USP: alunos mantêm ocupação de reitoria e pedem reabertura de diálogo

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) mantiveram nesta sexta-feira (8) a ocupação da reitoria…