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Fiat Uno Mille tem quase 30 anos, mas est impecvel; veja quanto vale a raridade

O Fiat Uno Mille surgiu em 1990 com o propósito de trazer de volta o conceito de carro popular. O truque deu tão certo que o modelo ficou por décadas entre os mais vendidos do Brasil. Sua despedida ocorreu em 2013, com a edição limitada Grazie Mille, de só 2 mil unidades.

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O nosso achado à venda é um Fiat Uno Mille EP 1996 (Extra Power) na cor verde Itajaí, que fez muito sucesso na linha. Trata-se de um exemplar com somente 14 mil km e todos os detalhes originais. As calotas, por exemplo, não têm um raladinho sequer e os para-choques pretos sem pintura ainda mantêm o fosco natural.

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À venda por R$ 55 mil na Lar’t, empresa especializada em carros clássicos nacionais e importados, o Mille EP tem motor 1.0 que estreou injeção eletrônica de combustível. Com isso, ganhou mais 2 cv (58 cv) em relação ao antecessor ELX, que vinha com propulsor carburado.

De opcionais, este Fiat Mille traz vidros elétricos, ar-quente, limpador e desembaçador do vidro traseiro e relógio digital. Há de se lembrar que era época em que os populares eram depenados para se manterem fiéis ao conceito.

Fiat Uno Mille EP 1996 Imagem: Reprodução/Lart

A FIAT UNO MILLE: O PRIMEIRO “POPULAR” DO BRASIL

O Fiat Uno Mille é, sem dúvida, um dos carros de maior sucesso da marca de origem italiana. A ideia deu tão certo que o hatch se manteve com o desenho – obra de Giorgetto Giugiaro – inalterado por quase 30 anos sem grandes alterações estéticas.

O Uno Mille surgiu no final de 1990 e inaugurou a volta do conceito do carro popular com motor 1.0. Vale frisar que, nos anos 1960, o público consumia versões mais despojadas do Willys Dauphine (Teimoso), DKW Vemag (Pracinha), Volkswagen Fusca (Pé-de-boi) etc.

Com a queda na alíquota do IPI de 40% para 20% para os motores de 800 a 1000 cm³, a Fiat precisou agir rápido e usar seus truques para sair na frente da concorrência. Então, aproveitaria o máximo de ferramental necessário do seu então atual carro-chefe de vendas, o Uno.

Fiat Uno Mille EP 1996
Fiat Uno Mille EP 1996 Imagem: Reprodução/Lart

Para fazer jus ao preço mais acessível, a Fiat economizou cada centavo na nova versão despojada. O motor, por exemplo, era o Fiasa de 1.048,8 cm³ emprestado do Fiat 147, cuja cilindrada era reduzida para 994,4 cm³. Com isso, a potência do Mille ficou restrita a apenas 48,5 cv, ante os 55 cv do seu “doador”.

O corte nos gastos para a produção do novo veículo popular também veio da ausência do retrovisor do lado direito, bancos mais simples e sem encostos de cabeça, painel de instrumentos mais rudimentar, entre outras contenções. Ainda que a simplicidade imperasse, o sonho do carro 0 km do brasileiro virou realidade.

Fiat Uno Mille EP 1996
Fiat Uno Mille EP 1996 Imagem: Reprodução/Lart

SUCESSO DO MILLE E NOVAS VERSÕES

O sucesso fez com que a Fiat criasse outras variações atraentes, tais como a série especial Brio, com carburador de corpo duplo que rendeu ao propulsor 1.0 a potência de 54 cv, ou 5,5 cv a mais comparado ao antigo com um carburador. A novidade fazia parte da linha de 1991.

Além dessa, no ano seguinte, o Mille ganhou a versão Electronic, com ignição digital substituindo o sistema arcaico do platinado, mas em 1994, a Fiat, mais uma vez, inovou com a luxuosa ELX. Considerado o primeiro nacional 1.0 a oferecer ar-condicionado, o novo popular ficou mais moderno com a nova frente, adotada na linha 1991 do Uno.

Além disso, era oferecido com a opção das quatro portas, que até então era exclusivo das versões mais equipadas do hatch. Vidros e travas elétricas, desembaçador e limpador do vidro traseiro e relógio digital ajudavam a compor o pacote generoso do popular da Fiat.

Fiat Uno Mille
Fiat Uno Mille fez sucesso desde o início das vendas, em 1990, como um dos carros mais em conta da época
Imagem: Divulgação

Com as vendas indo de vento em popa, na linha 1996, foi apresentada a versão EP, responsável por inaugurar o sistema de injeção eletrônica monoponto de combustível – em substituição ao carburador da ELX que era descontinuada. Com o advento deste recurso de alimentação, o Mille passou a render 58 cv, tendo uma melhora significativa no seu desempenho. Por este motivo, foi tratado pela imprensa especializada como o mais potente entre os 1.0 fabricados no Brasil.

Com a chegada do Palio, as versões mais caras do Uno foram exterminadas, mantendo apenas o Mille em continuidade como modelo de entrada. Assim, até 2013, ele foi mantido com alguns aperfeiçoamentos. Entre eles, podemos lembrar da versão com motor Fire – substituta da antiga Fiasa – que trouxe a injeção multiponto de 55 cv. Outro avanço para a trajetória do Mille foi a tecnologia flexível, podendo ser abastecida com etanol (66 cv) ou gasolina (65 cv), lançada em 2005.

Fiat Mille Young
Fiat Mille Young fez parte das várias versões do Mille que foram oferecidas no Brasil até o Grazie Mille de 2013
Imagem: Divulgação

Não menos importante, a Fire Economy de 2008 também foi um marco para a carreira do Mille no Brasil. Tornou-se um dos carros mais econômicos do mercado nacional. Com quinta marcha mais longa, pneus de baixa resistência à rolagem e econômetro, essa versão faz 12,4 km/l na cidade e 14,6 km/l na estrada com gasolina, uma referência até para os dias atuais.

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