Santa Catarina reforçou as ações de enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus, com uso de novas tecnologias. A notícia, anunciada pela Secretaria de Estado da Saúde, que terá parceria com municípios, chega em boa hora.
Entra ano e sai ano, a dengue e as doenças causadas pelo Aedes aegypti são assuntos sempre em alta. Para se ter uma ideia, desde o início do ano até 11 de agosto, a Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) registrou 51.651 focos do mosquito em 260 municípios – das 295 cidades, 182 são consideradas infestadas pelo mosquito -, 113.527 notificações de dengue, e 26.934 casos prováveis. O Estado registrou 16 mortes por dengue neste período e cinco estão em investigação.
Entre as iniciativas adotadas, estão a estratificação de risco territorial; implantação de ovitrampas para monitoramento entomológico; aplicação de BRI (Borrifação Residual Intradomiciliar); o uso de EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicidas); aplicação do BTI (Biolarvicida Bacillus Thuringiensis) e o utilização de adulticidas para controle vetorial.
A liberação de mosquitos com a bactéria Wolbachia e a de TIE (Inseto Estéril por Irradiação) poderão ser implementadas nos municípios mediante aprovação e fornecimento por parte do Ministério da Saúde. Neste caso, a inovação e a tecnologia utilizados para salvar vidas.
Mas para que as ações sejam efetivas, o engajamento da população é primordial. A participação da comunidade no combate ao mosquito transmissor é essencial para a reduzir os números de focos, de casos confirmados e de mortes. Até porque os gastos públicos relacionados ás doenças causadas pelo Aedes aegypti são bastante altos.
De acordo com estudo do governo federal divulgado ontem, os casos de dengue e chikungunya registrados no Brasil entre os anos de 2015 e 2024 custaram R$ 1,2 bilhão ao sistema de saúde brasileiro.
O cálculo teve como base a pesquisa “Hospitalização, mortalidade e anos de vida perdidos entre casos de chikungunya e dengue no Brasil: um estudo de corte nacional”, publicada na revista científica The Lancet Regional Health. Neste período, foram 1.125.209 casos de chikungunya e 13.741.408 ocorrências de dengue, mas nos dois casos, apenas 5,2% precisaram de internações.
Ações simples como evitar acúmulo de água em recipientes como pneus, tampas de garrafas, latas e copos, colocar areia nos pratos de vasos de plantas, remover duas vezes por semana a água acumulada em folhas de plantas e manter as lixeiras tampadas, entre outras, podem manter o mosquito longe da população e das nossas cidades. A tecnologia ajuda, mas os cidadãos precisam fazer a sua parte e colaborar.