Em São José, caminhar se tornou um ato de coragem. A cidade que se orgulha de ser polo econômico da Grande Florianópolis parece ter esquecido que a mobilidade urbana começa e termina pelo pedestre.
A ausência e o mau funcionamento de semáforos de travessia em avenidas movimentadas, como a Presidente Kennedy e a Lédio João Martins, são o retrato mais claro do descaso da prefeitura com quem se desloca a pé.
O caso é conhecido por qualquer morador que precisa circular por essas vias: semáforos de pedestres inexistentes ou apagados há meses, cruzamentos sem sinalização adequada e motoristas que avançam sem respeito algum à faixa de pedestres.
O resultado é previsível, e perigoso. Idosos, mães com crianças e trabalhadores se veem obrigados a arriscar a própria integridade física para cumprir tarefas simples do dia a dia, como ir ao mercado, ao ponto de ônibus ou à padaria.
Não faltam exemplos que evidenciem o abandono e, até agora, só geraram resposta burocrática: a prefeitura diz que está “realizando um levantamento” sobre os semáforos no município.
Enquanto o levantamento não sai do papel, o risco continua real e a inércia administrativa segue imutável. Não há justificativa aceitável para deixar um semáforo de pedestres apagado por tanto tempo, ainda mais em pontos de grande fluxo. O Poder Público tem a obrigação legal e moral de garantir a segurança viária. Ignorar essa responsabilidade é fechar os olhos para a vida que pulsa nas calçadas.
É preciso que a Prefeitura de São José trate o tema com a seriedade merecida. A segurança do pedestre não pode ser vista como custo, mas como investimento.
Um semáforo de travessia funcionando pode significar a diferença entre a vida e a morte. A instalação e manutenção desses equipamentos, a pintura de faixas e a fiscalização do respeito às leis de trânsito são medidas básicas, mas que dependem de vontade política.
São José, uma das maiores cidades de Santa Catarina, precisa decidir que modelo de mobilidade quer construir. Não é possível continuar crescendo sobre bases frágeis, em que o pedestre precisa se esconder atrás de carros para atravessar uma avenida.
O Poder Público deve explicações e, mais do que isso, respostas práticas. Consertar os semáforos, garantir a sinalização adequada e fiscalizar os motoristas são medidas urgentes. Mas também é hora de repensar a cidade: devolver o espaço público a quem o vive, e não apenas a quem o atravessa em alta velocidade.