O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, ganhou mais de 1,3 milhões de seguidores em uma semana após se envolver na crise institucional que marcou a Suprema Corte desde o dia 1° de setembro.
Os dados monitorados pela plataforma Social Blade mostram que o crescimento do perfil ocorreu na mesma semana em que o ministro retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal envolvendo o também ministro Alexandre de Moraes em diálogos suspeitos com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Antes da decisão, na terça-feira (1º), Mendonça acumulava 1.976.318 seguidores. No dia seguinte (02), a conta obteve o maior ganho do período analisado, adicionando 489.960 seguidores em 24 horas.
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Entre os dias 3 e 5 de setembro, o perfil somou 694.114 novos acompanhantes, ultrapassando a marca de 3,3 milhões de seguidores na terça-feira (08).
Atualmente, o perfil oficial do ministro possui 3.330.832 seguidores e apresenta uma taxa de engajamento de 9,34%. A média de interação na página é de 296.429 curtidas e 14.676 comentários por publicação.
Entenda a crise no STF que fez Mendonça crescer nas redes
A movimentação nas métricas digitais coincide com a tensão interna no STF que marcou a última semana.
Alexandre de Moraes usou um relatório interno da Polícia Federal “sem valor probatório” para pedir investigação contra André Mendonça Foto: Luiz Silveira e Carlos Moura/STFNa terça-feira (1º), Mendonça tornou público um relatório da PF, produzido por sua determinação, que aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, figura central de investigações envolvendo o Banco Master.
Moraes reagiu na quinta-feira (3), utilizando também relatórios de inteligência da própria PF para acusar Mendonça de abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
Na sexta-feira (4), o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, determinou a unificação das duas frentes — o pedido de investigação de Moraes e a decisão original de Mendonça — em um único procedimento.
Mendonça liberou o caso para análise do Plenário do STF no domingo (6), cabendo a Fachin a definição da data do julgamento. O prazo para manifestação das autoridades envolvidas termina no dia 21.
Entidades criticaram relatório de Moraes
Entidades como a Intelis (União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Agência Brasileira de Inteligência – Abin) afirmaram que o relatório utilizado por Moraes contra Mendonça não seguiu os parâmetros da Doutrina da Atividade de Inteligência.
De acordo com a associação, o documento não cumpriu os procedimentos metodológicos de coleta, avaliação e validação exigidos pelo Sistema Brasileiro de Inteligência.
A medida também foi criticada pela Associação dos Delegados da Polícia Federal. O presidente da entidade, Edvandir Felix de Paiva, afirmou ao Estadão que o uso de um relatório de inteligência da PF no inquérito das Fake News é “totalmente irregular” e que o documento jamais poderia ter sido compartilhado com órgãos externos.
O relatório interno da PF, base da denúncia de Moraes, também registra que o material não possui valor probatório.