Há algo bastante incomum no ranking de veículos mais vendidos do Brasil na primeira metade de outubro. A liderança da Fiat Strada, com 6.962 emplacamentos, não causa surpresa. O Hyundai HB20 aparece em seguida, com 5.581 unidades, mas quem ocupa a terceira posição é o BYD Dolphin Mini, o pequeno hatch elétrico que registrou 3.840 unidades no período.
O resultado chama ainda mais atenção por ocorrer em um mercado que há anos migra para os SUVs. O Dolphin Mini deixou para trás modelos como Volkswagen T-Cross, com 3.594 unidades, Tera (3.396), Polo (3.297), Toyota Yaris Cross (3.074) e Fiat Argo (2.740) na parcial da Fenabrave.
É, no entanto, um retrato que exige cautela. A primeira quinzena nem sempre permite antecipar o ranking ao fim do mês. Algumas fabricantes concentram o processamento de emplacamentos nos últimos dias, o que pode provocar diferenças grandes de ritmo ao longo de outubro.
Neste caso, vários campeões de vendas começaram o mês devagar. O Polo, por exemplo, teve 11.095 registros em setembro e aparece com 3.297 na parcial de outubro. O Argo passou de 8.603 para 2.740, enquanto o Chevrolet Onix, que emplacou 7.133 unidades no mês passado, registra apenas 1.550 até agora.
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Por isso, a posição do Dolphin Mini pode mudar bastante até o fechamento do mês. O dado mais relevante talvez esteja menos na colocação atual e mais no fato de o elétrico da BYD ter conseguido chegar a esse grupo.
Crescimento não começou em outubro
O desempenho do Dolphin Mini não surgiu nesta primeira quinzena. O elétrico começou 2026 com 2.839 emplacamentos em janeiro e passou para 4.872 em fevereiro e 7.048 em março. Depois de oscilar nos meses seguintes, voltou a acelerar no segundo semestre.
Foram 7.265 unidades em julho, 8.295 em agosto e 9.384 em setembro, seu melhor resultado do ano até agora. Com as 3.840 unidades registradas na primeira metade de outubro, o Dolphin Mini acumula 64.442 emplacamentos em 2026.
O volume coloca o pequeno elétrico inclusive à frente do HB20 no acumulado do ano até a parcial: o Hyundai soma 59.170 unidades. Entre os automóveis, Polo, T-Cross, Argo, Tera e Onix ainda estão à frente do BYD no ano.
A comparação com setembro também ajuda a separar o desempenho do Dolphin Mini da fraqueza momentânea de alguns concorrentes. As 3.840 unidades atuais equivalem a cerca de 41% das vendas do BYD no mês passado. Não é um ritmo excepcionalmente elevado para metade de um mês, mas suficiente para colocá-lo muito acima de modelos que começaram outubro em velocidade menor.

HB20 também causa surpresa
Se o Dolphin Mini ocupa uma posição pouco habitual, o HB20 é outra peculiaridade da parcial. O hatch da Hyundai já havia emplacado 5.581 unidades, número próximo das 6.314 registradas durante todo o mês de setembro.
O desempenho ocorre justamente depois da chegada do Hyundai i20, hatch mais moderno que passou a dividir espaço com o HB20. Até agora, porém, o lançamento não conseguiu assumir o protagonismo esperado: depois de 3.042 unidades em agosto, o i20 caiu para 1.404 em setembro e soma 602 na primeira metade de outubro.
A própria Hyundai já indicou que pretende manter o HB20 em sua linha e reposicioná-lo em 2027, com maior participação das versões 1.0 aspiradas, vendas diretas e uma nova configuração abaixo de R$ 100 mil. Os números mais recentes mostram que, ao menos neste momento, o modelo mais antigo continua tendo peso importante nas vendas da marca.

Elétrico no meio dos campeões
O caso do Dolphin Mini é diferente. Com 3,78 metros de comprimento e proposta essencialmente urbana, o BYD está distante do perfil dos SUVs que passaram a dominar os lançamentos e boa parte das vendas no Brasil.
Também não se trata mais apenas de liderança entre carros elétricos. O Dolphin Mini passou a disputar posições com alguns dos veículos a combustão de maior volume do país e, em setembro, seus 9.384 emplacamentos já haviam superado T-Cross, Tera, Argo, Onix, HB20 e Mobi. Naquele mês, entre esses automóveis de grande volume, apenas o Polo vendeu mais.
Ainda é cedo para saber se outubro produzirá outra colocação excepcional. Polo, Argo, Onix e outros modelos têm toda a segunda metade do mês para recuperar terreno, especialmente porque os emplacamentos não se distribuem de maneira uniforme entre as semanas.
O que é certo é que a carreira do modelo no Brasil ainda vai longe já que a BYD prepara a chegada da segunda geração do modelo.