A BAIC ainda nem começou efetivamente a vender carros no Brasil, mas já traçou uma das metas mais ambiciosas entre as novas fabricantes chinesas que desembarcam no País. A montadora pretende lançar 10 modelos por aqui até 2028, iniciar a produção nacional e transformar o mercado brasileiro em sua maior operação fora da China.
Os planos foram detalhados nesta semana por Oswaldo Ramos, chefe da operação brasileira da BAIC, durante a primeira apresentação oficial da empresa no País. O executivo, que confirmou com exclusividade ao Motor1.com Brasil a chegada da fabricante durante o E-Days 2026, em junho, agora abriu boa parte do planejamento para os próximos anos.
E a ofensiva começa pelos Arcfox T1 e T5, dois modelos 100% elétricos que já estão sendo apresentados ao público em Interlagos. A rede de concessionárias começa a operar em novembro, dando início à fase comercial da marca no mercado brasileiro.
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Fonte: Motor1 Brasil
T1 abre a ofensiva da BAIC
O primeiro lançamento será o Arcfox T1, modelo elétrico que a BAIC prefere posicionar como crossover, apesar das proporções próximas às de um hatch. São 4,33 metros de comprimento, 1,86 m de largura, 1,57 m de altura e generosos 2,77 m de distância entre-eixos. A altura livre do solo é de 18 cm.
Na prática, as dimensões colocam o T1 em uma posição curiosa no mercado brasileiro. A própria BAIC o compara tanto com modelos menores, como Jeep Avenger, Volkswagen Tera e Hyundai i20, quanto com SUVs compactos maiores, entre eles Volkswagen T-Cross, Jeep Renegade e Hyundai Creta.
É justamente aí que a chinesa pretende encontrar espaço. O T1 chega a um segmento de elétricos compactos que cresceu rapidamente no Brasil e já reúne nomes como BYD Dolphin, Geely EX2, GAC Aion UT e MG4 Urban.
Na China, o Arcfox T1 é oferecido com motores elétricos dianteiros de 94 cv ou 127 cv e baterias de aproximadamente 42 kWh. A depender da configuração, a autonomia declarada chega a 425 km no ciclo chinês CLTC. A especificação definitiva para o Brasil, assim como preço e versões, ainda será anunciada.

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Fonte: Motor1 Brasil
T5 sobe de tamanho e potência
O segundo produto confirmado é o Arcfox T5, um SUV elétrico de porte médio. Ele mede 4,69 metros de comprimento e 1,936 m de largura, entrando em uma faixa superior à ocupada pelo T1.
A apresentação da BAIC destaca uma bateria de 74 kWh e autonomia declarada de até 660 km pelo antigo ciclo NEDC. O T5 utiliza arquitetura elétrica de 800 volts com componentes de carbeto de silício (SiC) e suporta recargas rápidas em corrente contínua de até 230 kW. Segundo a fabricante, é possível recuperar de 30% a 80% da carga em 17 minutos.
Como já mostramos no Motor1.com Brasil, a gama chinesa oferece versões com potência entre 252 cv e 272 cv e diferentes capacidades de bateria. A configuração brasileira ainda não foi fechada.
T1 e T5 também servem para apresentar ao consumidor brasileiro a Arcfox, divisão de veículos elétricos da BAIC. No planejamento global do grupo, a Arcfox ocupa uma posição mais tecnológica, enquanto a própria marca BAIC ficará especialmente ligada aos SUVs eletrificados que chegarão posteriormente.

Foto de: Motor1 Brasil
Serão 10 modelos até 2028
É justamente depois dos dois elétricos que a ofensiva começa a ganhar proporções maiores. O cronograma apresentado pela fabricante prevê uma gama formada por cinco SUVs, quatro crossovers e uma picape até 2028.
Para 2026 estão programados os dois primeiros crossovers. Em 2027, a BAIC pretende acrescentar dois SUVs e uma picape ao portfólio brasileiro. Outros dois crossovers e três SUVs estão previstos para 2028.
A empresa ainda mantém sob sigilo a identidade da maior parte desses produtos. A estratégia, porém, confirma algo que Oswaldo Ramos já havia antecipado ao Motor1 durante o E-Days: a BAIC não pretende depender exclusivamente de carros elétricos no Brasil.
O grupo possui uma gama bastante ampla na China, incluindo SUVs eletrificados e modelos voltados ao uso fora de estrada. Entre os produtos que já chamaram a atenção do Motor1 está o BJ30, SUV híbrido com visual quadrado, tração integral e sistema capaz de entregar até 409 cv em configurações comercializadas no exterior.
No Salão de Pequim, o Motor1 também acompanhou de perto outros modelos da fabricante, incluindo os SUVs da família BJ e uma picape de grande porte. A existência de uma picape no cronograma brasileiro para 2027 mostra que a BAIC pretende disputar também um dos segmentos mais importantes e rentáveis do nosso mercado.

Foto de: Motor1 Brasil
Produção nacional está nos planos
A estratégia não termina na importação. A BAIC confirmou que produção nacional faz parte do planejamento de longo prazo para o Brasil, embora ainda não tenha informado fábrica, localização, modelos ou cronograma industrial.
A operação brasileira foi estruturada em cinco pilares e um deles prevê justamente uma visão de longo prazo com produção e centro de pesquisa e desenvolvimento no País. Outro ponto destacado é a intenção de adaptar produtos e tecnologias globais às características do consumidor brasileiro.
É uma estratégia semelhante à adotada pelas fabricantes chinesas que entraram antes no mercado e passaram rapidamente da importação para projetos industriais locais. GWM já produz em Iracemápolis (SP), BYD avança com sua operação em Camaçari (BA) e outras empresas também anunciaram planos de nacionalização.
No caso da BAIC, o tamanho do portfólio projetado ajuda a explicar por que a fabricação local aparece desde o início do planejamento.

Foto de: Motor1 Brasil
De 50 lojas para 140 pontos
Antes disso, porém, será preciso construir uma rede capaz de vender e atender todos esses carros. A BAIC afirma que a operação das concessionárias começa em novembro e trabalha com um plano agressivo de cobertura nacional.
A meta apresentada é chegar a 50 lojas até dezembro de 2026, com um novo padrão de showroom reunindo produtos BAIC e Arcfox. Em uma etapa posterior, a rede deverá alcançar 140 pontos espalhados pelo País.
A expansão foi planejada em ondas. A primeira pretende alcançar 24 cidades, concentrando-se nas principais metrópoles e centros regionais. Uma segunda etapa acrescentará outras 24 cidades e, posteriormente, a fabricante pretende alcançar 112 zonas de influência identificadas a partir de estudos do IBGE.
No pós-venda, a promessa é iniciar a operação com 97% das peças críticas de reposição disponíveis, complementadas por transporte aéreo quando necessário.

Foto de: Motor1 Brasil
BAIC quer ser Top 5 no Brasil
Todo esse planejamento desemboca em uma meta especialmente ousada. A BAIC pretende estar entre as 10 maiores fabricantes do mercado brasileiro já em 2028. Apenas dois anos depois, em 2030, quer aparecer entre as cinco primeiras.
É um objetivo ambicioso mesmo diante do crescimento acelerado das fabricantes chinesas no País. Para alcançá-lo, a BAIC terá de disputar espaço não apenas com suas compatriotas, mas também com marcas tradicionais instaladas no Brasil há décadas.
A escala global ajuda a explicar a confiança. Fundada em 1958, a BAIC se apresenta como um dos cinco maiores grupos automotivos chineses, informa vendas acumuladas superiores a 40 milhões de veículos e presença em mais de 140 países e regiões. O conglomerado reúne marcas próprias como BAIC, Arcfox, Foton e Stelato e mantém joint ventures com Mercedes-Benz e Hyundai na China.
No Brasil, porém, a empresa está começando do zero. E Oswaldo Ramos deixou claro qual é a dimensão do projeto: a intenção é transformar o País na maior operação da BAIC fora da China.
Se o cronograma apresentado sair do papel, T1 e T5 serão apenas a porta de entrada. A verdadeira aposta começa nos próximos dois anos, quando SUVs, uma picape, produção local e uma rede nacional terão de sustentar a meta de colocar uma recém-chegada chinesa entre as cinco maiores montadoras do Brasil até o fim da década.
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