Vereador reuniu queixas sobre quedas de energia e prejuízos no município; apuração identificou falhas no serviço e cobrou medidas para reduzir as interrupções
O que começou como uma série de reclamações de moradores de Valença ganhou uma nova dimensão depois que o vereador Haroldo Filho decidiu formalizar as denúncias e levá-las ao Ministério Público. A iniciativa resultou na inclusão da Notícia de Fato nº 150/26 no procedimento que apura a qualidade do fornecimento de energia elétrica da LIGHT em municípios da região. A partir da documentação apresentada, o Ministério Público aprofundou a análise, cruzou reclamações de consumidores com dados da própria concessionária e indicadores da ANEEL e chegou a uma conclusão preocupante: há sinais objetivos de piora no serviço prestado pela LIGHT em diferentes pontos de Valença.
“Eu recebi muitas reclamações de moradores, produtores e empresários sobre as constantes quedas de energia, oscilações e prejuízos causados pelo serviço da LIGHT em Valença. Diante disso, fiz o que estava ao meu alcance como vereador: formalizei essas denúncias e levei os fatos ao Ministério Público. O mais importante agora é que o MP recebeu a manifestação, incorporou o caso ao procedimento que acompanha a atuação da concessionária e passou a cobrar respostas e providências. Isso mostra que as reclamações da população não podem mais ser tratadas como casos isolados. Existe um problema que precisa ser enfrentado e, principalmente, resolvido”, contou o vereador Haroldo.
O despacho do Ministério Público não apenas registra as denúncias apresentadas. O órgão determinou novas diligências, cobrou informações da concessionária e estabeleceu medidas específicas para localidades como São Bento e Barão de Juparanã. Na prática, a atuação do vereador ajudou a transformar reclamações que atingiam diretamente moradores e produtores rurais em uma cobrança institucional, que agora exige respostas formais da empresa responsável pelo fornecimento de energia.
Entre os fatos levados ao Ministério Público, por meio da manifestação que deu origem à NF 150/26 estão relatos de blackouts, oscilações de tensão e danos materiais em diferentes pontos do município. Um dos casos relatados foi especialmente grave: uma propriedade rural teria sofrido mais de 30 interrupções de energia, provocando a perda de vacinas destinadas ao gado. A manifestação de Haroldo Filho foi formalmente recebida pelo Ministério Público e incorporada ao procedimento de acompanhamento da LIGHT. No próprio despacho, o MP determinou que fosse dada ciência aos noticiantes sobre as providências adotadas, incluindo o responsável pela NF 150/26.
Ao aprofundar a análise, o Ministério Público encontrou indicadores que reforçam as reclamações apresentadas pela população. Em São Bento, uma diligência realizada em junho de 2026 registrou insatisfação generalizada dos moradores. Foram relatados aumento do chamado “pisca-pisca”, retorno das quedas frequentes de energia no fim da tarde e à noite e demora excessiva no restabelecimento.
Diante da situação, a LIGHT informou ao Ministério Público que pretende implantar cabos semi-isolados no alimentador LDA Municipal, em São Bento. Mas a previsão apresentada pela concessionária chamou a atenção do MP: a execução da obra foi estimada somente para agosto de 2027. O Ministério Público considerou o cronograma incompatível com a piora observada e determinou que a empresa apresente uma alternativa para antecipar a implantação, além de adotar medidas transitórias enquanto a solução definitiva não for executada.
A ANEEL também foi acionada pelo Ministério Público para apresentar informações sobre as compensações devidas aos consumidores de Valença por violações dos indicadores de continuidade.
O problema não está apenas nas casas
A investigação também encontrou reflexos do problema no setor produtivo. A Indústria de Plásticos Valença, localizada na RJ-145, no bairro Santa Terezinha, relatou interrupções e oscilações severas desde 2025 e apresentou ao MP um monitoramento próprio realizado durante aproximadamente 12 meses. A empresa agora deverá ser objeto de uma análise técnica específica por parte da LIGHT. O impacto também aparece no campo. A denúncia incorporada ao procedimento relatou mais de 30 interrupções em uma propriedade rural, com perda de vacinas destinadas ao gado. São situações que mostram que uma falha de energia não representa apenas um transtorno doméstico: pode significar prejuízo para famílias, empresas, produtores rurais e serviços essenciais.
A apuração também levantou questionamentos sobre os pedidos de ressarcimento por danos elétricos. Em Valença, foram registrados 34 pedidos em 2026, mas apenas três foram deferidos. Um deles estava relacionado à perda de vacinas em Conservatória. Diante disso, o Ministério Público determinou que a LIGHT esclareça seus procedimentos para análise dos pedidos de ressarcimento e demonstre o cumprimento das normas estabelecidas pela ANEEL.
O vereador Haroldo Filho afirma que a população precisa ser ouvida e que o próximo passo é acompanhar de perto o cumprimento das determinações e garantir que as respostas não fiquem apenas no papel. “A principal conquista, neste momento, é ver que aquilo que a população vem denunciando há meses deixou de ser apenas uma reclamação e passou a ser objeto de uma apuração formal do Ministério Público. Quedas constantes, oscilações, demora no restabelecimento e prejuízos não podem ser tratados como algo normal. Energia elétrica é serviço essencial e a população de Valença merece respeito, qualidade e respostas. Agora, nosso papel é continuar acompanhando de perto, cobrando a LIGHT e fiscalizando para que as determinações do Ministério Público saiam do papel. O que nós queremos é muito simples, que a população tenha energia de qualidade e que a LIGHT cumpra a sua obrigação”, disse.