O dólar seguiu em queda e fechou abaixo de R$ 5,09 nesta segunda-feira (20), em um pregão marcado pela desvalorização da moeda americana frente a divisas de países emergentes. A leitura de mercado foi influenciada pela sinalização de espaço para arrefecimento das tensões entre Estados Unidos e Irã, além do suporte dado pelos juros elevados no Brasil e pela alta do petróleo.
No mercado à vista, o dólar caiu 0,42%, a R$ 5,0896. O contrato futuro para agosto recuava 0,50%, a R$ 5,1045, por volta das 17h. No mesmo período, o índice DXY, que mede a moeda americana ante pares fortes, subia 0,18%. No mês, a divisa acumula queda de 1,42% e, no ano, de 7,28%.
A sessão foi influenciada pelo noticiário do Oriente Médio. Apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter endurecido o discurso contra o Irã durante a tarde, prevaleceu a interpretação de que ainda há espaço para redução das tensões. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que mediadores atuam para evitar uma escalada.
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Segundo o gerente da Tesouraria do banco Daycoval, Otávio Oliveira, houve enfraquecimento do dólar principalmente contra moedas emergentes em reação à não escalada do conflito. Ele observou que o movimento entre agravamento e arrefecimento das tensões entre Washington e Teerã já se repetiu outras vezes.
Outro fator de suporte ao real foi a alta do petróleo. O Brent para setembro, referência para a Petrobras, subiu 1,27%, a US$ 89,22. Para o especialista em câmbio e sócio da One Investimentos, Matheus Massote, o real é favorecido pela condição do Brasil de exportador líquido de petróleo.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho. No acumulado do mês, as exportações cresceram 6,7% ante o mesmo período de 2025, puxadas pela Indústria Extrativa.
Massote e Oliveira também citaram o carry trade com o real, favorecido pelo diferencial elevado de juros do Brasil em relação a outros países. A curva de juros abriu a partir dos vértices intermediários após o Boletim Focus mostrar alta da mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2028, de 3,70% para 3,78%.
Com menor pressão sobre moedas emergentes, alta do petróleo e manutenção do diferencial de juros, o dólar encerrou a segunda-feira (20) abaixo de R$ 5,09, enquanto o mercado acompanhou o noticiário geopolítico e os sinais da economia brasileira.
Fonte: Estadão Conteúdo
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