O presidente nacional do PT, Edinho Silva, admite que o partido cometeu um grave erro político ao desmobilizar a militância após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022, e que quase custou a reeleição neste ano. A legenda tomou um susto inesperado após o primeiro turno, em que o petista terminou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por pouco mais de 2 milhões de votos de diferença.
Lula passou o primeiro turno inteiro da eleição deste ano dizendo acreditar que levaria a reeleição sem precisar de uma segunda votação. Após a derrota, o partido precisou reformular toda a estratégia e aceitar opiniões externas para tentar virar voto.
“O PT passará por mudanças profundas. Administramos contradições até agora por conta da campanha do Lula. Daqui para a frente, a gente tem que entender que essas contradições serão superadas”, afirmou Edinho em entrevista ao jornal O Globo.
VEJA TAMBÉM:
-
Lula 4 vai cobrar fidelidade do centrão no Congresso para distribuir cargos no governo
Edinho Silva também criticou a utilização do partido para atender a interesses individuais e cobrou compromisso coletivo de seus integrantes. O PT tem vários rachas e alas internas que variam entre o progressismo com uma articulação mais ampla e o retorno às origens mais duras.
“O PT não vai ser um amontoado de projetos pessoais, não vai ser instrumento de enriquecimento pessoal. O PT é um instrumento de luta da classe trabalhadora brasileira e é isso que ele vai ser”, declarou.
Segundo Edinho, Lula apoia a reorganização partidária e orientou a direção a promover as mudanças necessárias. Para recuperar a mobilização, o dirigente anunciou uma reunião da Executiva Nacional com representantes de movimentos sociais, visando ampliar a participação dessas organizações nas decisões e propostas do governo.
Por outro lado, a relação com o Congresso deve ser aprofundada para combinar negociações parlamentares com mobilização popular para influenciar a agenda legislativa. Entre as prioridades estão mudanças nos sistemas político, eleitoral e judiciário, além de medidas de redistribuição de renda.
“Vamos governar com um amplo diálogo com o Congresso, mas também com muita mobilização social para disputar a agenda do Congresso”, declarou.
Edinho também afirmou que o PT está aberto a negociar com outras siglas para formar a base de sustentação do próximo governo, desde que os acordos respeitem o programa político de Lula. A reorganização partidária também deverá preparar a legenda para a sucessão presidencial de 2030, embora o dirigente não tenha antecipado possíveis nomes.
“O PT é o maior legado do presidente Lula. Se o partido estiver forte, organizado nacionalmente e em sintonia com os anseios do povo brasileiro, essa liderança vai emergir naturalmente”, concluiu.