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Editorial: Caixas de som: tem que fazer valer a lei

A entrada em vigor da lei que proíbe o uso de caixas de som nas praias de Florianópolis pode ser considerada uma grande vitória da civilidade em tempos de desrespeito mútuo em praticamente todos os ambientes onde se vá.

Seja no trânsito, no supermercado ou num estabelecimento qualquer, sempre haverá alguém que considere ter prioridade sobre os outros, ter preferência ou mais pressa – não raro, essa percepção vem acompanhada de atos que colocam a si e aos outros em risco.

No caso das caixas de som nas praias, o cidadão acredita ter a prerrogativa de impor aos outros sua preferência musical. E aqui não se trata de avaliar gosto, pois é direito de cada um ouvir o que mais lhe agrada, sem ser julgado por isso.

A questão é a perturbação causada a quem apenas quer passar algumas horas sossegado à beira-mar com a atividade predileta, sozinho ou na companhia da família ou de amigos.

Uma vez aprovada e sancionada a nova regra, a cidade precisa eliminar o risco de a lei “não pegar”, como já aconteceu com outras ao longo da história. Para isso, o primeiro passo é fazer valer a nova legislação.

Regulamentar a fiscalização, além de promover campanhas de conscientização e de divulgação – sem falar na instalação de placas e avisos claros sobre a proibição – são providências essenciais para que todo o esforço despendido na aprovação do projeto pela Câmara de Vereadores não seja perdido.

Neste aspecto, é papel de cada um fazer sua parte, mas à Prefeitura de Florianópolis cabe dar condições de trabalho às equipes de fiscalização, respaldando as decisões tomadas por quem tem a função de percorrer os balneários coibindo o abuso.

Da mesma forma, é dever da administração municipal, por meio de suas estruturas de promoção turística, divulgar a cidade com esta nova realidade, o que pode ser um chamariz para quem se comporta com civilidade ao mesmo tempo em que desestimula a presença de quem não pretende se comportar.

Nossas praias são exemplo de beleza natural, uma fama que corre o mundo e atrai turistas de dezenas de países, que vêm curtir o verão por aqui. Porém, poucos fatores têm o poder de afastar visitantes de um local quanto a percepção de que ali impera a bagunça, a desordem e o desrespeito ao próximo.

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