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Editorial: Capital à mercê de uma categoria

Florianópolis dormiu na quarta-feira e amanheceu ontem sob o signo da incerteza sobre o transporte coletivo. A notícia de que fora decretada a greve na noite de quarta, após assembleia dos trabalhadores, não detalhava o que aconteceria. Essa incerteza talvez seja tão ou mais danosa do que uma eventual garantia de que tudo seria suspenso.

O Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Urbano da Região Metropolitana de Florianópolis) chegou a dizer que não haveria paralisação das atividades na manhã de ontem, mas o que se viu foi um serviço de transporte funcionando apenas parcialmente. O Norte da Ilha foi a região mais afetada, com reflexo pelas áreas centrais da Capital.

Novamente a cidade e sua população ficaram à mercê da categoria, numa situação de total descaso com as necessidades das pessoas que dependem do transporte coletivo para trabalhar, estudar ou mesmo comparecer a uma consulta médica por vezes aguardada há meses.

Mas os problemas não se resumem a deixar a população parada entre uma viagem e outra, sem saber se haverá transporte para ir – e, no caso de chegar ao trabalho, não saber se terá como voltar para casa.

O prejuízo do comércio também é um fator a ser considerado, com queda no volume de vendas e nos impostos gerados e, em última análise, na remuneração de seus empregados, com a diminuição nas comissões – notadamente numa data como o Dia dos Namorados, muito aguardada pelo comércio e considerada uma das principais em todo o calendário lojista.

Ninguém nega a motoristas e cobradores o direito de reivindicar seus direitos, de defender uma remuneração justa e condizente com a importância do serviço que prestam à população.

Porém, não é razoável achar que isso lhes dá a prerrogativa de paralisar uma capital de Estado e deixar usuários impotentes e na dependência de transporte alternativo, como aplicativos, que nestas horas sobem de preço assustadoramente.

Cabe a todos os atores envolvidos e com poder de decisão esgotar as possibilidades de negociação em busca de um acordo, com concessões de parte a parte, para que sejam preservados os direitos da parte mais fraca nesta história toda e que sofre as maiores consequências: a imensa massa de usuários do transporte coletivo.

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