O governo federal sancionou uma lei para que se promova anualmente a campanha Setembro Amarelo, em todo o país, visando a conscientização sobre a saúde mental e a prevenção da automutilação e do suicídio.
A lei dá status de política pública para uma ação que foi idealizada por diversas entidades da sociedade civil no fim de 2014, e que ocorre no Brasil desde 2015. A partir de agora, ficam instituídos os dias 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio e 17 do mesmo mês como Dia Nacional de Prevenção da Automutilação.
A crise na saúde mental chama a atenção e mostra a importância que o Poder Público assegure apoio e suporte à população. Levantamento do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade), no Ministério da Saúde, aponta que em 2023 foram notificadas 16,8 mil mortes por suicídio no país, média de 46 pessoas por dia.
Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontam que 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, e que esta foi a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em 2021.
O Setembro Amarelo chama a atenção também para os problemas de saúde mental que, se não tratados adequadamente, podem vir a se tornar caso de automutilação ou até de suicídio: episódios depressivos, transtornos de ansiedade, reações a estresse grave, entre outras, que no ano passado, representaram mais de 440 mil afastamentos do trabalho, por exemplo, um aumento de 67% em relação ao ano de 2023, segundo o Ministério da Previdência Social.
O assunto é grave e crescente. E justamente por isso, não pode mais ser tratado como um tabu. Problemas de saúde mental têm de ser ouvidos, acolhidos e tratados. A informação de que existe apoio e tratamento precisa ser espalhada.
Há pessoas preparadas para este tipo de atendimento. “Conversar pode mudar vidas”, o tema do Setembro Amarelo deste ano, reforça que o diálogo é uma ferramenta poderosa para acolher quem sofre em silêncio. É preciso buscar ajuda.
A proposta agora é que, sendo uma política pública, a conscientização não se limite ao mês de setembro. Há, em todos os meses, pessoas em crise diante do grande desafio de equilibrar vida familiar, pessoal e profissional com qualidade. Que este seja o primeiro passo para mudanças também na forma como a sociedade em geral lida com a saúde mental.