Santa Catarina amarga, ano após ano, uma estatística que não deveria existir: a perda de cerca de 1.700 vidas em acidentes de trânsito. São pessoas — filhos, pais, amigos — que deixam de viver não por fatalidades inevitáveis, mas, na maioria das vezes, por negligência, imprudência ou infraestrutura precária.
Esses números, alarmantes por si só ganham ainda mais peso quando lembramos que representam apenas uma fração dos mais de 1 milhão de acidentes anuais no Brasil, responsáveis por cerca de 35 mil mortes.
Diante dessa realidade, a campanha Maio Amarelo assume uma importância vital. Neste ano, pela primeira vez em âmbito estadual, o Detran/SC organiza um evento de grande escala, com ações educativas e interativas para públicos de todas as idades.
A iniciativa é louvável e urgente. O trânsito, como espaço de convivência diária entre milhões de brasileiros, exige consciência coletiva e responsabilidade individual.
O tema da campanha “Mobilidade humana, responsabilidade humana” resume bem o desafio. É preciso compreender que a mobilidade vai além dos veículos: envolve pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas, todos com direitos e deveres.
A responsabilidade, nesse contexto, começa com atitudes simples, como respeitar a sinalização, não dirigir alcoolizado e praticar a direção defensiva.
A gravidade da situação em Santa Catarina é agravada por fatores estruturais. Rodovias como as BRs 101 e 282 apresentam estruturas insuficientes e sinalização deficiente, o que contribui para que o Estado figure entre os que mais registram acidentes.
É dever do Poder Público atuar com mais vigor na melhoria da infraestrutura viária, sem o que os esforços educativos se tornam insuficientes.
Ao convocar escolas, famílias e profissionais do setor para participar das atividades do Maio Amarelo, o Detran forma uma nova geração de condutores e pedestres mais conscientes.
É simbólico e eficaz envolver crianças nas ações, pois são elas que fiscalizam os adultos e se tornam, no futuro, os principais agentes da mudança que tanto precisamos. Chegou o momento de transformar indignação em ação. Nenhuma vida perdida no trânsito é aceitável.
Que o Maio Amarelo seja mais que um mês de reflexão e se torne um ponto de partida para uma cultura permanente de respeito, cuidado e empatia nas vias. No trânsito, quem escolhe a responsabilidade, escolhe a vida.