O empresário João Carlos Ribeiro, que vem divulgando uma série de vídeos com críticas ao projeto do novo Porto de Pontal do Paraná e às ações do Governo do Estado na região, é personagem de uma investigação que tramita na Justiça e envolve suspeitas de corrupção relacionadas à obtenção de licenças ambientais para um empreendimento portuário privado.
Ribeiro foi alvo da Operação O Quinto Alto, deflagrada pela Polícia Federal, que investigou um suposto esquema de pagamento de propina a fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para facilitar a liberação de licenças ambientais. Segundo as investigações, os fatos teriam ocorrido entre 2014 e 2015 e estariam relacionados ao projeto do Porto de Pontal.
Ainda de acordo com a investigação, o empresário teria recorrido ao então senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello para defender seus interesses junto ao Ibama. A apuração apontou, entre outros elementos, que uma das licenças ambientais teria sido emitida três dias antes de um repasse superior a R$ 1 milhão. O caso permanece em tramitação judicial, sem decisão definitiva sobre as acusações.
Durante anos, Ribeiro buscou viabilizar um projeto privado para a instalação de um porto em Pontal do Paraná. O empreendimento acabou sendo vendido recentemente ao grupo Vinci Partners. Paralelamente, o Governo do Paraná avançou em um novo projeto para a região, com desapropriações e a implantação da chamada Faixa de Infraestrutura.
A Faixa de Infraestrutura inclui a construção de uma nova ligação rodoviária paralela à PR-412, com acesso a Pontal do Sul, além de um canal de macrodrenagem. A legalidade e a validade da licença ambiental do empreendimento foram reconhecidas pela Justiça em 2025, após anos de disputas judiciais. À época, somente a construção da rodovia era estimada em aproximadamente R$ 270 milhões.
O novo projeto portuário, por sua vez, prevê investimentos bilionários e representa uma das principais apostas de expansão da infraestrutura logística do Litoral do Paraná.
Além da atuação empresarial, João Carlos Ribeiro ganhou projeção nacional por seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral. Nas eleições de 2020, informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possuir patrimônio de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Entre os bens declarados estavam veículos de luxo, jet skis, obras de arte, quatro apartamentos um deles no exterior e participações societárias em grandes empresas.
As acusações mencionadas nesta reportagem são objeto de processo judicial e, portanto, não representam condenação definitiva.