O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro deixou uma impressão incômoda: faltaram ideias, propostas e conteúdo. Sobraram acusações, numa disputa mais empenhada em ampliar a rejeição do adversário do que em conquistar a confiança do eleitor.
As quatro perguntas da Band deram conteúdo programático ao encontro e abriram espaço para discutir caminhos para o país. Nos confrontos diretos, porém, esse espaço perdeu força diante dos ataques e das respostas ensaiadas.
A disputa dos marqueteiros atravessou até os intervalos. A preocupação em controlar a narrativa e produzir o próximo recorte para as redes sociais pareceu maior do que o compromisso de explicar como governar.
Cobrar o adversário faz parte da democracia. Mas quem pretende presidir o Brasil precisa apresentar soluções, explicar prioridades e mostrar como executá-las.
Ao final, o eleitor recebeu mais motivos para rejeitar um ou outro e menos razões para acreditar em um projeto de país. O Brasil merece um debate à altura dos seus problemas.
Os dois candidatos representam diferentes parcelas da sociedade brasileira e expressam visões distintas sobre os rumos do país. A posição de Flávio Bolsonaro contrária às saidinhas, a de Lula contra as privatizações e as divergências sobre a maioridade penal trazem ao debate escolhas que precisam ser discutidas com clareza e respeito. Quando essas diferenças se traduzem em propostas, a democracia ganha e o eleitor pode decidir com mais consciência.
Como o eleitor enxergou esse confronto?
Conseguiu identificar propostas e diferentes visões de Brasil ou ficou com a impressão de que os ataques dominaram?
A importância do debate para a democracia é indiscutível; sua qualidade, porém, depende do conteúdo que oferece para orientar o voto.