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Festival do rio destaca o novo filme dos criadores da série veneno – Agora Litoral

Produção ibérica navega por três épocas distintas para resgatar memórias marginalizadas e homenagear o legado de frederic garcía lorca

A relação entre o público e a sétima arte ganha contornos raros quando o aspecto individual se funde a uma experiência coletiva e profunda. Embora a percepção de uma projeção mude para cada espectador, existem ocasiões em que a sala inteira mergulha em um estado de intensa comoção, fenômeno que marcou exibições recentes em importantes mostras cinematográficas com dramas intensos e produções impactantes.

H2: O novo marco no cinema ibérico O longa A Bola Preta, dirigido por Javier Ambrossi e Javier Calvo — conhecidos como “Los Javis” e responsáveis pela premiada minissérie Veneno —, foi a obra escolhida para dar início à 28ª edição do Festival do Rio, realizada entre os dias 1º e 11 de outubro.

Inspirada no universo literário do dramaturgo espanhol Federico García Lorca, a narrativa conecta três momentos temporais diferentes. A primeira trama se passa em 1932 e acompanha Carlos, interpretado por Milo Quifes, um jovem impedido de entrar em um clube masculino exclusivo devido a boatos sobre sua orientação sexual.

H3: Conexões através das décadas O segundo arco temporal transporta o espectador para 1937, durante a Guerra Civil Espanhola, mostrando a aproximação improvável entre o militar Sebastián Azcuna, vivido por Guitarricadelafuente e Natal Amargo, e o rebelde Rafael Rodríguez Rapún, papel de Miguel Bernardeau.

Já em 2017, a história acompanha o pesquisador Alberto, interpretado por Carlos González. Enquanto investiga figuras marginalizadas ao longo dos anos, ele recebe a notícia do falecimento do avô e descobre uma herança que o liga diretamente a um passado de perdas, violências e amores silenciados pela intolerância.

H2: Resgate histórico e resistência cultural O enredo funciona como um manifesto contra o apagamento de identidades que não tiveram a oportunidade de vivenciar suas paixões abertamente. A proposta do filme dialoga com reflexões sobre como a instabilidade política e o medo do julgamento alheio esconderam trajetórias importantes por gerações.

Visualmente estonteante, a película traz cenas marcantes que dialogam com a simbologia queer, enquanto mantém uma linguagem poética do início ao fim. Com essa nova empreitada, os cineastas reafirmam o compromisso de dar luz e celebrar figuras históricas que moldaram a cultura e a resistência da comunidade.

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