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“Fleabag” – Parte 1

Já falei aqui, mas não me custa repetir. Prefiro filmes a séries. Talvez pela praticidade de assistir a algo que tenha começo, meio e fim em no máximo duas horas. 

Séries requerem um tempo maior. Usam a técnica infalível de terminar um episódio com um gancho que levará a outro capítulo, depois a mais um e assim sucessivamente. 

Eu me conheço. Não sossego enquanto não finalizar. Nem é porque gosto de maratonar, mas porque a minha ansiedade não suporta esperar até o dia seguinte.  Termino satisfeita, porém exausta. 

E foi de maneira despretensiosa, rolando a aba de Reels do Instagram, que me deparei com um vídeo que trazia um trecho de uma série chamada “Fleabag”. Fui pesquisar. Ela é de 2016. Dez anos se passaram e só agora afundei no meu sofá para desfrutá-la.

Torci o nariz no primeiro episódio, bocejei no segundo, sem conseguir achar nenhuma graça nas piadas. Em determinado momento, comecei a resmungar sobre a insistência da crítica em rotular, atualmente, qualquer filme ou série como algo excepcional e necessário. Mas, lá pelo terceiro episódio, resolvi dar uma trégua e lançar um olhar mais atento sobre a protagonista. Pronto, fui capturada.

“Fleabag” é sobre caos: externos e, principalmente, internos. Sabe aquela dor, aquele incômodo, aquela culpa, aquele medo, aquela insegurança que a gente carrega para lá e para cá enquanto entrega ao mundo uma versão formatada e aceitável para a sociedade? Pois é. Está tudo vibrando na tela, bem diante dos nossos olhos.

Para completar, a protagonista não tem filtro. Ela verbaliza, em alto e bom som, o que lhe vem à cabeça. Age por impulso, não está nem aí para regras sociais, não se prende às teorias de certo e errado e vive como se não houvesse amanhã. Mas o amanhã chega e traz consigo as consequências de tudo o que ela fez. Ainda assim, a pressa em viver é muito maior do que a disposição de fazer uma pausa e refletir sobre o que a leva, a cada segundo, a meter os pés pelas mãos. 

E, conforme a série avança, a gente vai entendendo o porquê de tantas atitudes descabidas, capazes de fazer com que exclamemos: “Menina, não faz isso!” Sabendo, claro, que ela não nos dará ouvidos.

“Fleabag” fala sobre todos nós, de um jeito ou de outro. Nossas fragilidades e imperfeições saltam de episódio em episódio, mostrando, de maneira muito clara, que absolutamente ninguém está livre de deslizes ao longo da vida e que nossos atos podem interferir na vida daqueles que nos cercam e até afetar quem está a quilômetros de distância.

E, no meio de tanto caos, impulsos e consequências, surge uma pergunta inevitável: qual será o sentimento capaz de fazer com que a nossa protagonista coloque, pela primeira vez, o pé no freio?

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três: o amor.

E é justamente na segunda temporada que entra em cena o amor proibido. Mas isso é assunto para a minha próxima crônica. 

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