Os juros futuros tiveram forte queda nesta segunda-feira (5), com recuo superior a 100 pontos-base nos vértices médios e longos da curva. Com exceção da ponta curta, os demais vencimentos voltaram a ser negociados abaixo de 13%, em níveis não vistos desde outubro de 2024. O movimento ocorreu após a leitura do mercado sobre o resultado do primeiro turno das eleições.
No fim do pregão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu para 13,413%, ante 13,53% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2029 recuou de 13,749% para 12,650%, enquanto o vencimento para janeiro de 2031 passou de 13,99% para 12,700%.
A avaliação predominante entre agentes financeiros foi de redução dos riscos ligados à política fiscal. Esse movimento levou a curva a termo a precificar um ciclo de calibragem mais intenso da taxa Selic, com cortes nas duas últimas reuniões deste ano e continuidade em 2027. A taxa terminal apontada pela curva para 2026 caiu de 13,47% na sexta-feira para 13,20%. Para 2027, passou de 13,50% para 12,50%.
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Diretor de pesquisa econômica do banco Pine, Cristiano Oliveira afirmou que o comportamento dos juros surpreendeu. Segundo ele, a expectativa no início do dia era de queda entre 50 e 80 pontos-base, com teto de 100 pontos. “Provavelmente há a interpretação de que é mais provável a implementação de uma agenda mais liberal na economia. Não é um movimento artificial. O mercado já está antecipando essa agenda”, disse.
Para Alexandre Espírito Santo, sócio e economista-chefe da Way Investimentos e professor da IBMEC-RJ e ESPM, a diferença de 2,3 milhões de votos entre Flávio Bolsonaro e Lula ajudou a impulsionar o rali, assim como a nova composição do Congresso. Segundo ele, a direita avançou no Senado, com 44 dos 81 parlamentares a partir de 2027, e o PL elegeu a maior bancada da Câmara, com 121 deputados.
O estrategista global da Macquarie, Thierry Wizman, avaliou que a manutenção do movimento nos ativos dependerá da apresentação de um plano crível para as finanças públicas. Já o economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano, ponderou que a volatilidade da sessão recomenda cautela na leitura desses ajustes.
A sessão foi marcada por forte descompressão da curva de juros, com redução dos prêmios em contratos médios e longos e revisão das apostas para a Selic diante da leitura do mercado sobre o cenário político e fiscal após o primeiro turno.
Fonte: Estadão Conteúdo
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