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Limite de comandos na tela no sistema multimdia ser critrio de segurana

Com os sistemas multimídia cada vez mais sofisticados algumas fabricantes passaram a incluir vários comandos na tela no centro do painel, mas isso deverá mudar com as novas regras de segurança que vão passar a vigorar a partir de 2026. 

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Isso porque o Euro NCAP,  órgão europeu de avaliação de segurança veicular anunciou que, a partir do ano que vem, para um carro obter a pontuação máxima de 5 estrelas nos testes de segurança precisará incluir comandos físicos para pelo menos as seguintes funções: acionamento do pisca-alerta, limpador de para-brisa, desembaçador dianteiro e controle de temperatura.

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Essa nova exigência estabelece um padrão mínimo de usabilidade tátil, reforçando que design e inovação não podem comprometer a operação instintiva e segura de sistemas críticos. A medida também pressiona montadoras a adotarem uma abordagem híbrida, que equilibre interfaces digitais com redundâncias físicas essenciais.

Ergonomia aliada à segurança

Comandos que exigem desviar o olhar do trânsito representam um sério risco à segurança
Imagem: Divulgação

Conforme artigo do designer João Marcos Ramos, consultor da Bright Consulting, embora a digitalização dos comandos mostre a evolução contínua da indústria automotiva, trazendo mudanças profundas na ergonomia automotiva, diferente de botões físicos, que permitem operação tátil, as telas exigem que o motorista desvie o olhar da estrada para verificar se está interagindo com a função correta.

Segundo um estudo do Transport Research Laboratory (Reino Unido), motoristas que usam touchscreens demoram até 4 vezes mais para completar tarefas simples, em comparação com sistemas analógicos. Isso equivale a percorrer centenas de metros sem atenção à via, aumentando significativamente o risco de colisões — especialmente em situações urbanas de tráfego intenso.

Além disso, alguns fabricantes optam por incluir animações ou interfaces visuais complexas que tornam o uso ainda mais demorado e, portanto, perigoso. O excesso de informações visuais pode também causar sobrecarga cognitiva, comprometendo a tomada de decisão rápida ao volante.

Outro fator crítico é o impacto da digitalização na experiência de motoristas mais velhos. Populações como a brasileira e a europeia estão envelhecendo, e muitos desses motoristas não cresceram em um ambiente digital. Para eles, a ausência de comandos táteis e a complexidade das interfaces representam não apenas um desconforto, mas um obstáculo à segurança.

Erros de navegação nos menus, dificuldade em ajustar o ar-condicionado ou mudar a estação de rádio são frequentes e podem causar distrações perigosas. Além disso, o tempo de resposta e os reflexos mais lentos tornam o uso dessas interfaces ainda mais desafiador. Em países como a Alemanha e o Japão, discussões sobre interfaces inclusivas já começaram a ganhar força entre legisladores e fabricantes

A evolução tecnológica dos veículos é inevitável e desejável, mas não deve ignorar os fundamentos da segurança e da experiência do usuário. A integração dos media screens trouxe avanços importantes, mas revelou limitações que agora começam a ser enfrentadas com decisões regulatórias e reavaliações de projeto. 

A nova diretriz da Euro NCAP e soluções como o módulo de botões da Xiaomi representam marcos importantes: a reafirmação de que, mesmo na era digital, o tato, a intuição e a simplicidade continuam sendo aliados indispensáveis na busca por uma mobilidade mais segura e acessível para todos.

 

 

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