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Lupi bambeia, mas aliados resistem a demissão e apontam ‘fogo amigo’

Desde a devassa no Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS, em uma operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, a permanência de Carlos Lupi (PDT) no cargo de ministro da Previdência tem bambeado. A oposição articula uma CPI para desgastar o governo, mas mesmo dentro do Planalto há clima de fritura.

A avaliação é que a crise pode se tornar um grande problema na reeleição de Lula (PT), que tem aposentados e pensionistas como um dos principais focos de conquista de votos. O suposto “descuido” de Lupi poderia inviabilizar a marca de que o governo não enfrenta casos de corrupção. Nem mesmo a denúncia contra o então ministro das Comunicações Juscelino Filho (União) conseguiu associar o governo Lula 3 a escândalos deste tipo, já que as investigações do Supremo Tribunal Federal envolvem atos de seu período como deputado federal.

Por isso, setores do Planalto defendem que Lupi entregue o cargo para poupar Lula de uma decisão difícil. Aliados do ministro, porém, percebem desconforto do presidente em demiti-lo e não acreditam que haja fatos que impliquem diretamente Lupi nos crimes investigados, imputando à Secom de Sidônio Palmeira e à ministra Gleisi Hoffmann (PT), das Relações Institucionais, o “fogo amigo”.

No PDT, é dado como certo o desembarque do governo em caso de demissão. O partido, porém, não migraria para a oposição, apenas deixaria de indicar um novo titular para a Previdência, transferindo a escolha a Lula.

Até aqui, Lupi indica que uma eventual demissão teria de partir de Lula. Na quinta 24, ele afirmou a a CartaCapital não ter a pretensões de deixar o posto. E repetiu o informe em entrevista ao Estadão, publicada nesta segunda-feira.

A pressão, contudo, aumentou com a demissão de Alessandro Stefanutto da presidência do INSS, após a operação Sem Desconto da PF e da CGU contra fraudes no órgão. Na terça-feira 22, Lupi disse ter “inteira responsabilidade” pela indicação de Stefanutto, que assumiu o cargo em julho de 2023.

A investigação apura um esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas. O valor total dos descontos desde 2019 pode chegar a 6,3 bilhões de reais, embora ainda não se saiba qual é a fatia correspondente às fraudes.

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