O governo brasileiro conseguiu evitar que a China ampliasse para todo o país as restrições à importação de produtos avícolas após a confirmação de um novo foco da doença de Newcastle em Santa Catarina.
Em nota divulgada neste domingo (25), o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) confirmou o segundo foco da doença em uma granja de Coronel Freitas, no Oeste catarinense, e informou que a restrição chinesa permaneceu limitada ao Estado. O órgão também esclareceu a classificação sanitária da ocorrência envolvendo pombos de vida livre em Marema.
China mantém restrição a produtos de Santa Catarina
Segundo o Mapa, a limitação das restrições ao território catarinense foi resultado de negociações conduzidas pelo governo brasileiro. A atuação evitou a suspensão das importações de produtos avícolas provenientes de todo o país.
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O ministério informou que mantém contato com as autoridades sanitárias dos mercados importadores para apresentar informações técnicas sobre os casos identificados e as medidas adotadas para conter a doença.
As negociações buscam viabilizar a retomada segura do comércio, conforme os requisitos sanitários de cada mercado.
A situação dos demais países importadores continua sob monitoramento, e novas informações serão divulgadas quando houver atualizações confirmadas.
Governo brasileiro negociou com a China para evitar que as restrições aos produtos avícolas fossem ampliadas para todo o país.Foto: Divulgação/Cidasc/ND MaisSegundo foco foi identificado em Coronel Freitas
O novo foco da doença de Newcastle foi confirmado em um estabelecimento avícola de Coronel Freitas durante ações de vigilância intensificadas na região.
O primeiro caso havia sido registrado em 18 de outubro, em uma criação comercial de perus para corte em Nova Itaberaba, também no Oeste catarinense.
De acordo com o Mapa, a propriedade de Coronel Freitas já estava dentro da área de restrição estabelecida após a primeira ocorrência. Como os dois estabelecimentos ficam próximos, foi necessário apenas um pequeno ajuste no perímetro, que permanece sob vigilância.
O Serviço Veterinário Oficial iniciou os procedimentos de investigação epidemiológica, vigilância e contenção. O processo de despovoamento sanitário das aves da propriedade afetada também já começou.
Medidas de controle e investigação epidemiológica foram intensificadas após a confirmação do segundo foco da doença de Newcastle em Santa Catarina.Foto: Keli Magri/ND MaisVírus foi detectado em pombos em Marema
Além dos casos em granjas comerciais, a vigilância sanitária identificou o paramixovírus aviário tipo 1 (PPMV-1) em pombos de vida livre no município de Marema, no Oeste de Santa Catarina.
O Mapa esclareceu que essa ocorrência não tem relação epidemiológica com os focos identificados em aves comerciais. Conforme os critérios da OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal), a detecção do vírus nesses pombos não configura um foco da doença de Newcastle.
Em informações divulgadas anteriormente, a Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) informou que os pombos encontrados em Marema apresentavam sinais clínicos, confirmados posteriormente por exames laboratoriais.
A companhia também relacionou a ocorrência em Coronel Freitas à transmissão do vírus por pombos. O episódio reforça a importância das medidas de biosseguridade nas propriedades avícolas, para reduzir o contato entre aves de vida livre e os plantéis comerciais.
Paramixovírus aviário tipo 1 foi detectado em aves no município de Marema, no Oeste catarinense.Foto: Reprodução/ND MaisEmergência zoossanitária abrange quatro municípios
Após a confirmação do primeiro foco em Nova Itaberaba, o governo federal declarou estado de emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
A medida foi estabelecida pela Portaria Mapa nº 962/2026 e permite intensificar as ações de vigilância e controle sanitário na região.
A inclusão dos quatro municípios na área de emergência não significa que todos tenham focos confirmados. O objetivo é ampliar o monitoramento e identificar possíveis ocorrências, além de evitar a disseminação do vírus para outras propriedades.
A inclusão dos quatro municípios na área de emergência não significa que todos tenham focos confirmados.Foto: Felipe Neitzke/Reprodução/ND MaisFiscalização continua na região
A Cidasc informou que mais de 160 propriedades comerciais de criação de galinhas e perus passaram por vigilância sanitária até sábado (24). Outras 317 propriedades com criações de subsistência foram fiscalizadas, e 78 coletas de amostras foram realizadas.
Quatro barreiras sanitárias móveis e fixas permanecem em funcionamento, com controle do trânsito e desinfecção de veículos.
Apesar da confirmação do segundo foco, 15 granjas comerciais da região tiveram resultados negativos para a doença. Segundo a Cidasc, as aves desses estabelecimentos foram liberadas para abate comercial após autorização sanitária.
As ações de vigilância e contenção continuam sob coordenação dos órgãos de defesa agropecuária, com o objetivo de controlar a ocorrência e proteger a avicultura catarinense e nacional.
Propriedades comerciais passam por monitoramento para identificar possíveis ocorrências e conter a disseminação do vírus.Foto: Cidasc/Divulgação/ND Mais