Promotores, policiais e auditores fiscais cumpriram, na manhã desta quinta-feira (24), mandados em 32 endereços de onze cidades de seis estados e do Distrito Federal na Operação Crédito Oculto. A investigação do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado à chamada máfia dos combustíveis na aquisição da distribuidora Terrana.
Entre os 40 alvos da operação estão o sócio proprietário do Banco Genial, Humberto Tupinambá, o empresário Antonio Carlos Freixo Junior e o Grupo Entre. As buscas foram autorizadas pela 2.ª Vara Criminal de Catanduva com base em elementos reunidos na primeira fase da Operação Carbono Oculto, incluindo contratos, documentos, mensagens e áudios apreendidos em celulares e computadores.
Segundo os investigadores, o esquema teria sido usado para ocultar recursos atribuídos aos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, na compra da Terrana. A distribuidora, nome fantasia da Tobrás Distribuidora de Combustíveis, chegou a figurar entre as dez maiores do país e teve as atividades suspensas pela Justiça do Rio em 9 de julho. Em 2024, a empresa tinha faturamento mensal de R$ 445 milhões e capital social de R$ 245 milhões. A aquisição pode ter alcançado R$ 153 milhões.
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A apuração também aponta o uso de nove fundos de investimentos e 27 empresas, 16 delas com bens tornados indisponíveis. De acordo com o Gaeco, uma das estruturas envolveu o fundo Radford, administrado inicialmente pela Altinvest e depois transferido para administração e custódia do Banco Genial. O fundo tinha como cotista a usina sucroalcooleira Itajobi, no interior paulista, que teria recebido R$ 100 milhões por meio do Grupo Aster e outros R$ 20 milhões da Entre Investimentos.
Na sequência, o dinheiro da usina teria sido direcionado ao banco por meio de Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV). Depois, segundo a investigação, os recursos foram repassados às holdings Berna e Branson por Cédula de Crédito Bancário (CCB), mecanismo que teria ocultado a origem do dinheiro usado na compra da distribuidora. O Banco Genial informou aos promotores que as cotas do fundo somavam cerca de R$ 169,7 milhões no momento da deflagração da Carbono Oculto e que renunciou à administração do Radford após a operação.
A investigação sustenta que a estrutura financeira foi usada para mascarar os reais controladores da operação e da distribuidora. As apurações também reúnem mensagens que, segundo o Gaeco, indicam atuação coordenada de empresários, operadores do mercado financeiro e executivos na montagem do negócio.
Fonte: Estadão Conteúdo
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