Tem pão artesanal chegando à mesa dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI) de Pontal do Paraná e uma história de empreendedorismo por trás da ação. Na quinta-feira (17), o JB Litoral acompanhou as primeiras entregas do Projeto Sabores de Amor, que capacita mulheres para a produção do alimento que chega ao café da manhã dos alunos. Entre a curiosidade das crianças e o orgulho das profissionais que receberam os alimentos, a novidade já começa a ganhar espaço na rotina das instituições.
O prefeito de Pontal do Paraná, Rudisney Gimenes Filho (MDB), o Rudão, afirmou que a iniciativa busca unir geração de renda e alimentação escolar e que tudo começou com a capacitação de mulheres interessadas na fabricação. Atualmente, há cinco participantes, que fazem cerca de 3.600 unidades por semana.
“A gente pegou um grupo de mulheres que tinha interesse, fizemos um alinhamento com a Secretaria de Educação, através dos nossos nutricionistas, com a chefe de cozinha também que trabalha no Provopar (Programa do Voluntariado Paranaense), para definir as receitas e o curso de capacitação”, explicou.
Com o conhecimento pronto para ser colocado em prática, elas foram orientadas a abrir registro de Microempreendedor Individual (MEI), por meio da Sala do Empreendedor e do Escritório de Compras Públicas.
“Fizemos um credenciamento na Prefeitura para que elas pudessem estar habilitadas para o fornecimento de pães. A produção é toda feita no Provopar nesse primeiro momento. A ideia é expandir o projeto para as escolas também, além dos CMEIs”, disse Rudão. Outras empreendedoras interessadas poderão se credenciar posteriormente, segundo o prefeito, conforme o aumento na demanda.
“Hoje, os pães são mais nutritivos que os que nós comprávamos anteriormente e são para crianças que têm restrições alimentares. Não têm nenhuma proteína do leite, o que também facilita para que tenhamos o mesmo produto servido para todas as crianças”, acrescentou.
Em março deste ano, o Provopar, em parceria com a Prefeitura, realizou uma etapa do curso de panificação. A formação ensinou às participantes o preparo de massas, boas práticas e organização da produção, já visando o fornecimento às instituições.
Receita que une sabor e cuidado
A nutricionista Thais Bordenowsky da Silva explicou que os pães não substituem as demais refeições oferecidas e são inseridos principalmente no café da manhã, seguindo um cardápio elaborado pela equipe de nutrição.




“Eles foram desenvolvidos a partir da proposta de complementar a alimentação escolar mais nutritiva, diversificada e baseada em ingredientes naturais. As receitas foram reformuladas com a inclusão de tubérculos, raízes, hortaliças e PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), como mandioca, batata-doce, batata-salsa, inhame, cenoura, abóbora e ora-pro-nóbis”, disse.
Segundo ela, esses ingredientes contribuem para aumentar a variedade de nutrientes da preparação, fornecendo fibras, vitaminas e minerais, além de valorizar alimentos regionais e minimamente processados.
Como são produzidos sem aditivos e conservantes, eles são oferecidos duas vezes na semana. “A iniciativa faz parte de uma proposta de diversificação, ampliando o contato das crianças com diferentes alimentos e sabores e, ao mesmo tempo, buscando oferecer preparações que atendam às necessidades específicas dos alunos”, considerou.
Após todo o desenvolvimento e aprovação das receitas, foi feito um protótipo para verificar se as empreendedoras conseguiriam atender à demanda. “Deu tudo certo. A última etapa também incluiu a análise da amostra por nós, nutricionistas”, completou Thais.
Para Laudiceia Sousa Lima, merendeira há 14 anos no CMEI Cavalo Marinho, a alimentação escolar melhorou ao longo do tempo, com o apoio da equipe de nutrição e maior atenção à qualidade dos produtos. Elas também participam de cursos e recebem frutas, verduras e outros alimentos selecionados para o preparo das refeições.
“Fazemos tudo com muito amor. Na merenda vem tudo, mas se você não tiver cuidado e carinho para fazer, nada sai bom. Prezamos muito também pela limpeza e higiene”, declarou.
Da comunidade para a mesa dos pequenos
A iniciativa alcança, atualmente, 13 escolas e 1.508 alunos, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação. No CMEI Ouriço do Mar, que atende 75 crianças de 0 a 3 anos, no balneário Canoas, a novidade foi bem recebida.
“Eu acho uma ideia impressionante, sou fã de Pontal por trazer essa mão de obra de dentro do município. Valorizo demais as merendeiras das instituições. As crianças aceitaram muito bem e eu tenho bastante orgulho de fazer parte disso”, disse Joyce Hartmann Santo Pinheiro, diretora da escola.
No CMEI Cavalo Marinho, na região do balneário Primavera, a chegada também despertou entusiasmo. A unidade tem 151 crianças matriculadas, e a diretora Jaqueline Alves de Souza, que trabalha na instituição há 14 anos, destacou que a proposta ganha ainda mais significado quando envolve a família dos estudantes.
“Nós achamos maravilhoso. Agora com as mulheres, empreendedoras do município, entregando isso para as nossas crianças, a gente fala: ‘Olha, esse mamãe que fez, a tia que fez’, porque eles conhecem e é muito bom”, relatou.
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