Candidata da UP defendeu o fim da escala 6×1, reestatizações e o remanejamento de verbas públicas para saúde e geração de empregos.
Durante debate presidencial realizado em São Paulo, a candidata Samara Martins (UP) sustentou que o verdadeiro peso sobre as contas públicas brasileiras decorre do pagamento de juros da dívida pública da União, e não dos programas de transferência de renda voltados à população de baixa renda.
Reajuste do benefício social e impacto orçamentário
A postulante ao Palácio do Planalto classificou os repasses aos credores do Estado como um privilégio financeiro e defendeu os investimentos sociais:
“O que é um absurdo no nosso país é o bolsa-banqueiro, que leva R$ 1,8 trilhão do nosso orçamento. Não é o Bolsa Família. É necessária a geração de emprego e o aumento da renda do nosso povo, porque 80% das famílias estão endividadas para garantir comida”, afirmou.
O posicionamento ocorreu após a recente decisão do governo federal de elevar o valor base do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691. A alteração provocou reações contrárias de setores da oposição devido à proximidade do primeiro turno eleitoral. Segundo as projeções oficiais, o reajuste demandará R$ 5,8 bilhões extras no último trimestre de 2026 e R$ 22,7 bilhões anuais a partir de 2027, montante que a equipe econômica planeja custear por meio de remanejamentos internos, sem abertura de crédito extraordinário.
Fim da escala 6×1 e mercado de trabalho
Ao abordar as relações de trabalho no país, Samara posicionou-se contra as propostas que autorizam negociações individuais entre empregadores e empregados. A representante da UP cobrou a extinção do regime de trabalho 6×1:
“Hoje no Brasil não há condição de negociar com patrão. Nós, que trabalhamos na 6 X 1, não temos opção. Toda vez que os direitos do trabalhador são colocados em questão, fala-se que o Brasil vai quebrar”, afirmou.
Plano econômico e reestatizações
A candidata também direcionou críticas ao volume da dívida pública brasileira, que alcançou a marca de R$ 9,29 trilhões em julho. Em sua plataforma de governo, propôs destinar as quantias atualmente reservadas aos juros para o fomento de setores estratégicos, como o fortalecimento do parque industrial, a inovação tecnológica, a educação e o sistema de saúde.
O programa econômico da candidatura inclui ainda a redução da jornada de trabalho sem corte nos salários, a formação de frentes emergenciais de emprego administradas pelo Estado e a reversão de processos de privatização. O cenário econômico recente aponta uma taxa nacional de desemprego de 5,4% no segundo trimestre de 2026, com retração do índice em 13 das 27 unidades federativas apuradas pelo IBGE.
O debate contou com a presença de Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), além de Samara Martins. Os concorrentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) não compareceram ao evento.