
Sinner ergue o troféu de vice-campeão em Roland-Garros
©Corinne Dubreuil / FFT
Jannik Sinner teve três match points para vencer a final por 3 sets a 1 e conquistar Roland-Garros pela primeira vez. Não conseguiu. Carlos Alcaraz reagiu, cresceu e venceu no super tie-break do quinto set. O italiano passou de três chances para fechar o jogo a assistir seu adversário se reconstruir e produzir jogadas inacreditáveis para uma virada histórica. Com 5h29 de duração, a final mais longa da história do Aberto da França, é difícil imaginar uma derrota mais dolorosa do que essa.
E como ele reagiu? Enquanto Alcaraz ainda se levantava após se jogar no chão, emocionado com o título, Sinner cruzou a quadra não apenas para cumprimentá-lo, mas para dar-lhe um abraço e parabenizá-lo pela conquista.
No discurso durante a premiação, mais uma aula de respeito e humildade:
“Carlos, parabéns. Novamente uma performance incrível, uma batalha incrível, tudo incrível sobre você e o seu time. Estou muito feliz por você, merece muito… é mais fácil jogar do que falar agora, mas obrigado ao meu time por me colocar nessa posição. Nós demos nosso melhor hoje…fizemos um torneio incrível, por mais que esteja muito difícil agora, mas está tudo bem.”
O italiano, número 1 do mundo, continuou seu discurso agradecendo e elogiando os catadores de bolinhas, todos os árbitros, organizadores do torneio e ressaltou como é um privilégio poder jogar em Roland Garros.
Em um gesto tímido, ergueu o troféu de segundo colocado e disse estar feliz com a trajetória. Um contraste com atletas que muitas vezes desprezam o feito de vice-campeão, retirando as medalhas do peito e se mostrando insatisfeitos ao máximo com o resultado.
O exemplo de Sinner, no entanto, não chegou a tempo de atingir a vice-campeã da chave feminina, Aryna Sabalenka, também número 1 do mundo. Após um jogo tenso, levou a virada da norte-americana Coco Gauff, de apenas 21 anos. Na coletiva de imprensa após a final, ainda muito abalada pelo resultado, a tenista bielorrussa destacou:
“Ela venceu o jogo não porque jogou incrivelmente bem mas porque eu cometi todos aqueles erros…”
“acho que, se a Iga (oponente de Sabalenka na semifinal) tivesse me vencido no outro dia, acho que ela teria vencido hoje (a final)…”
Sem generalizações, é claro. Uma declaração infeliz não anula o histórico de Sabalenka, que é uma atleta exemplar na grande maioria das situações, inclusive com derrotas. Mas creio que exemplos como esse nos fazem entender melhor a grandeza de Sinner e muitos outros e outras.
Bons exemplos na história do tênis não faltam. Uma das maiores rivalidade do esporte, entre Roger Federer e Rafael Nadal, sempre foi pautada no respeito, humildade e mantendo o mais alto nível de competitividade. A história da rivalidade entre Carlos Alcaraz e Jannik Sinner parece estar sendo escrita de forma semelhante.