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TCE-PR aponta irregularidades em contratações de R$ 2,6 milhões em Antonina e multa ex-prefeito e ex-secretários

O Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) julgou procedente uma representação apresentada pelo vereador Lucas Peluso (MDB) e apontou irregularidades em credenciamentos usados pelo município para contratar profissionais nas áreas de Educação e Assistência Social. Os procedimentos, realizados em 2024, envolveram R$ 2,6 milhões (R$ 2.623.680,00) e resultaram em multas para agentes públicos responsáveis pelos editais.

Tribunal de Contas do Paraná afirmou que o processo ainda vai à plenário. Foto: Gabriel Marchi

Conforme os documentos do Edital de Credenciamento Público nº 006/2023, disponíveis no Portal da Transparência, 165 pessoas foram convocadas, em 3 de julho de 2024, para apresentar a documentação necessária para contratação e atuação junto ao Município de Antonina na área de Assistência Social.

Entre as funções previstas estavam Orientador Social, Profissional de Apoio a Programas e Serviços, Visitador, Facilitador de Oficinas, Auxiliar de Serviços Gerais, Supervisor de Projetos, Cuidador Social, Supervisor de Programas, Orientador Social Pedagógico, Orientador Jurídico e Tesoureiro.

Na área da Educação, outras 111 pessoas foram convocadas, em 7 de junho de 2024, também para apresentação de documentos e posterior contratação para prestar serviços ao Município. Os cargos incluíam Auxiliar de Serviços de Educação, Auxiliar de Limpeza, Profissional em Recreação Escolar, Orientador Educacional, Condutor Escolar, categoria D, e Auxiliar de Manutenção de Transporte Escolar.

Ex-prefeito, ex-secretários e ex-procurador-geral foram multados

José Paulo Vieira Azim (PSD), conhecido como Zé Paulo, prefeito de Antonina à época dos fatos, foi condenado ao pagamento de multa equivalente a 50 vezes a Unidade Padrão Fiscal do Estado do Paraná (UPFPR), cerca de R$ 7.358,50, por ter subscrito os editais e o chamamento dos credenciados.

A secretária municipal de Assistência Social e o secretário municipal de Educação e Esportes, receberam multas de 40 vezes a UPFPR cada (R$ 5.886,80), por terem assinado os editais e viabilizado as contratações.

O procurador-geral do município, João Pedro Ribeiro Vieira, também foi multado em 40 vezes a UPFPR (R$ 5.886,80). Conforme o TCE-PR, ele cometeu “erro grosseiro”, nos termos do artigo 28 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), ao emitir pareceres considerados genéricos e idênticos, sem análise jurídica específica sobre os requisitos e a inviabilidade de competição.

O Tribunal também determinou que a Coordenadoria-Geral de Fiscalização avalie a realização de uma fiscalização específica em Antonina para descobrir se outras admissões ilícitas também foram feitas da mesma forma.

Vereador relembra denúncia e aponta desdobramentos

A representação foi feita antes do vereador Lucas Peluso assumir o mandato na Câmara de Antonina. O principal questionamento levado ao Tribunal foi o uso do credenciamento ao invés de concurso público. Para Peluso, houve a utilização de um “regime precário de contratação” para atender atividades permanentes da administração municipal.

Ele também afirmou que o procedimento realizado em 2024 resultou no chamamento de quase 300 pessoas, que foram dispensadas após as eleições municipais ocorridas no mesmo ano.

- Lucas Peluso – FOTO DIOGO MONTEIRO JB LITORAL -06-05-2025 (1)
 Representação foi feita ao TCE-PR pelo vereador Lucas Peluso (MDB) Foto: JB Litoral

 “O Tribunal de Contas não julgou se esses atos tiveram ou não finalidade eleitoral. Essa questão pertence à Justiça Eleitoral e o próprio TCE fez essa separação durante o processo de julgamento”, concluiu.

Para o atual vereador, um dos principais efeitos da decisão é evitar que procedimentos semelhantes sejam repetidos pela gestão. “Talvez o principal efeito seja esse, a análise pela Coordenadoria de Fiscalização acaba colocando-os em uma ‘saia justa’ para não repetir esse tipo de coisa”, destacou Peluso.

O TCE-PR informou ao JB Litoral que a defesa pediu mais 30 dias para apresentar contraditório, a partir da última sexta-feira, dia 28 de agosto. Depois do parecer do relator, se acatado o pedido na Lei de Licitações, o processo vai a plenário para decisão final.

*O JB Litoral também procurou o ex-prefeito de Antonina, José Paulo Vieira Azim, que não retornou até o fechamento desta reportagem.

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