Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam a articulação de um possível jantar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O conteúdo foi divulgado nesta segunda-feira (21) pela revista CartaCapital.
A conversa ocorreu em dezembro de 2024 entre Vorcaro e o empresário mineiro Flávio Carneiro. Embora os investigadores apontem que as referências seriam aos dois integrantes da família Bolsonaro, as mensagens não confirmam que o encontro realmente aconteceu.
Empresário cita jantar com “xará” e o “pai dele”
Foi Carneiro quem iniciou o assunto pelo WhatsApp, em 8 de dezembro de 2024. Na mensagem, ele questionou Vorcaro sobre um possível jantar:
“Thiago tá cobrando se você vai num jantar com meu xará e o pai dele. Pelo que entendi, você tá ciente disso?”
Vorcaro respondeu que não sabia de quem o empresário estava falando. Carneiro, então, afirmou que “Thiago do Léo” estaria insistindo para reunir o banqueiro com o seu “xará” e o pai dele.
Mensagens revelam temor de Vorcaro com possível encontro com os BolsonaroFoto: Inquérito PFApós a explicação, Vorcaro respondeu: “Temos que pensar nisso” e “Vamos falar primeiro”.
Segundo investigadores do Caso Master ouvidos pela revista, o “xará” mencionado seria Flávio Bolsonaro, enquanto o “pai dele” seria Jair Bolsonaro. Os nomes dos dois, entretanto, não aparecem expressamente nas mensagens.
Vorcaro pediu sigilo sobre suposta reunião
No dia seguinte, 9 de dezembro, Vorcaro retomou o assunto e pediu que Carneiro não comentasse sobre a possível reunião:
“Não fala dessa reunião bolso pra ninguém! Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar.”
O diálogo não esclarece quem seria “Fábio”, qual assunto seria tratado no possível jantar nem por que a divulgação do encontro poderia prejudicar Vorcaro.
Também não há, no material divulgado, confirmação sobre o local, a data ou a realização da reunião. As mensagens mostram apenas que o encontro estava sendo discutido e que o banqueiro demonstrou preocupação com um eventual vazamento.
Bolsonaro já estava sujeito a medidas cautelares
Em dezembro de 2024, Jair Bolsonaro não estava preso, mas já havia entregado o passaporte por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ex-presidente também estava proibido de deixar o país e de manter contato com outros investigados no inquérito que apurava a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.