A notícia de que há 335 mil pessoas em situação de rua no Brasil, divulgada pelo CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais) na última semana, assusta porque quantifica uma situação que não é bonita, nem saudável e muito menos segura para as cidades.
O número registrado em março deste ano é 14,6 vezes maior do que em 2013, por exemplo, quando 22,9 mil pessoas viviam nas ruas no país. Destes mais de 335 mil, 9.933 são crianças e adolescentes; 30,7 mil são pessoas com 60 anos ou mais; e quase 295 mil têm entre 18 e 59 anos.
Apesar de mais da metade das pessoas em situação de rua estarem no Sudeste do país, a região Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – tem 42.367 (13%) deste público.
Florianópolis está entre as 12 capitais que apresentaram aumento no número de das pessoas em situação de rua. Se for considerada a proporção por 1.000 habitantes, em São Paulo são oito moradores em situação de rua para cada 1.000 habitantes. Em Florianópolis, são sete.
E quem passa diariamente pelas ruas de todas as cidades da Grande Florianópolis, a pé, de carro ou de ônibus, percebe o aumento de pessoas revirando lixeiras em busca de comida, pedindo esmola, e até em marquises de prédios se preparando para dormir a qualquer hora do dia ou da noite. Vivemos uma epidemia de pessoas em situação de rua. E este é um problema que vão vai se resolver sozinho.
Reduzir o número de pessoas em situação de rua é bastante complexo e leva em consideração uma combinação de políticas públicas, investimentos sociais, mudanças na mentalidade e ações conjuntas entre governos, sociedade civil e iniciativa privada, incluindo oferecer lugares para essas pessoas tomarem banho, se alimentarem e dormirem – muitas cidades já proporcionam isso, mas há pessoas em situação de rua que desconhecem e outras que se recusam a utilizar o serviço.
Mas além de um teto para dormir e alimento, é necessário providenciar atendimento à saúde mental, visto que muitos enfrentam transtornos psicológicos, uso de substâncias tóxicas e traumas, com médicos, psicólogos e enfermeiros é de extrema importância; além de espaços de apoio na emissão de documentos e outras atividades essenciais.
É fundamental que os serviços de assistência social, saúde, moradia e trabalho conversem entre si para garantir um acompanhamento completo e uma oportunidade de mudança de vida.