A família de Débora Ester de Bizi Dambros, de 24 anos, busca esclarecer a transferência de uma Volkswagen Amarok ocorrida após a morte da jovem, inicialmente tratada como vítima de um acidente na SC-283, no Oeste de Santa Catarina. Segundo a advogada Karen Rebelato, que representa a avó materna e os filhos menores de Débora, o veículo foi transferido quando o marido da vítima já estava preso.
Diante da movimentação, a defesa entrou nesta terça-feira (8) com um pedido judicial de bloqueio, busca e apreensão da caminhonete. A família suspeita de uma possível fraude, mas ainda não sabe como a transferência foi realizada. O pedido ainda não havia sido analisado pela Justiça até a publicação desta matéria.
Amarok foi transferida após morte de Débora Dambros
Segundo a advogada, a transferência da Amarok ocorreu depois do falecimento de Débora e quando o marido dela já estava preso. A família ainda tenta descobrir como o procedimento foi realizado e quem foi responsável pela movimentação.
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Por isso, a defesa solicitou à Justiça o bloqueio do veículo e também a busca e apreensão da caminhonete. O pedido foi protocolado nesta terça-feira (8) e ainda aguarda uma decisão.
Karen afirma que a situação levantou a possibilidade de uma fraude, mas não há, até o momento, uma decisão judicial reconhecendo irregularidade na transferência.
Ação busca preservar herança dos filhos da vítima
Além da medida relacionada à caminhonete, a família ajuizou uma ação de indignidade contra o marido de Débora. O objetivo é impedir que ele receba eventual herança deixada pela vítima.
Também foi iniciado o inventário, com pedidos de investigação sobre bens, contas bancárias, veículos e empresas.
Segundo a advogada, as medidas têm como objetivo preservar o patrimônio e garantir os direitos dos filhos menores de Débora. A guarda das crianças está atualmente com a avó materna.
Volkswagen Amarok foi transferida após a morte da jovem, segundo informações da advogada que representa os filhos.Foto: Montagem/ND MaFilha de Débora Dambros prestou depoimento especial
Na esfera criminal, a filha mais velha de Débora prestou depoimento especial durante a investigação. A oitiva ocorreu no Fórum, em uma sala onde a criança permaneceu apenas com uma assistente social.
Conforme a advogada, outras pessoas envolvidas no processo acompanharam o procedimento por videoconferência, mas a menina não sabia que estava sendo observada. Ela tinha conhecimento de que o depoimento estava sendo gravado.
As perguntas foram feitas pela assistente social de forma adaptada à idade da criança. Após a etapa inicial, juiz, Ministério Público e advogados puderam encaminhar questionamentos por meio da profissional.
Segundo Karen, a menina permaneceu tranquila durante o procedimento, que durou mais de uma hora. A advogada afirmou ainda que ela estava no local no momento do crime e é considerada uma testemunha ocular.
Karen disse que a criança “confirmou os fatos”, mas não revelou o conteúdo do depoimento. Por se tratar de uma produção especial de prova, a menina poderá ser ouvida uma única vez.
Advogada protocolou pedido de bloqueio, busca e apreensão da Amarok nesta terça-feira (8); solicitação ainda aguarda decisão judicial.Foto: Redes sociais/ND MaisAudiência está marcada para 15 de setembro
O processo criminal também terá uma audiência de instrução marcada para 15 de setembro.
Segundo a advogada, serão ouvidas as testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa, além do interrogatório dos acusados.
A audiência ainda não será o julgamento pelo Tribunal do Júri. Depois dessa etapa, o juiz deverá analisar as provas produzidas e decidir se os acusados serão ou não submetidos ao julgamento pelo júri.
Relembre a tragédia na SC-283
Débora foi encontrada morta em 21 de julho, depois que uma Fiat Doblò caiu no Rio Barra Grande, na SC-283, entre São Carlos e Palmitos. Inicialmente, a ocorrência foi tratada como um acidente de trânsito.
A investigação da Polícia Civil, porém, apontou uma versão diferente. Conforme os investigadores, Débora já estaria morta antes da queda do veículo e o acidente teria sido simulado para ocultar o feminicídio.
O marido da vítima e o pai dele foram presos preventivamente em 31 de julho. Segundo a investigação policial, o marido teria matado Débora por asfixia e contado com a ajuda do pai para transportar o corpo e lançar o veículo no rio.
A Polícia Civil também apontou que o celular da vítima teria sido utilizado para criar uma falsa narrativa sobre o desaparecimento dela.
Durante a investigação, os policiais ainda localizaram uma carta que, segundo a polícia, indicaria um plano envolvendo os filhos menores do casal e a própria morte do suspeito.
O caso segue em andamento na Justiça, com novas etapas previstas para os próximos dias.
Caso é investigado como feminicídio após a polícia apontar que a morte teria sido encoberta por uma simulação de acidente.Foto: Montagem/ND Mais