Hugh Saetia tinha 6 anos quando perdeu a mãe, vítima de câncer gastrointestinal. Aos 17, o estudante do ensino médio em Los Angeles usa a própria experiência com o luto para criar retratos gratuitos de pessoas mortas para suas famílias.
A iniciativa começou em 2024, após o filho de Marilyn McAllister, babá que se tornou uma figura materna para Hugh e seu irmão, ser morto depois de um turno como segurança. Aos 14 anos, ele pintou um retrato para ajudá-la a enfrentar a perda.
Um retrato que mudou o caminho
McAllister já havia perdido o marido e o filho mais novo. Ao receber a pintura, ficou profundamente comovida. “Não há palavras para expressar o que sinto”, afirmou. A reação marcou Hugh e deu origem à The Eternal Canvas Foundation.
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Hoje, a organização presenteia familiares enlutados com pinturas a óleo de seus entes queridos. Hugh começou procurando pessoas no cemitério onde sua mãe está enterrada e perguntando se gostariam de receber um retrato gratuito.
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Aos 17 anos, o estudante usa a pintura para ajudar famílias a preservar lembranças de pessoas que morreram – Instagram/Reprodução/ND Mais
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A arte voltou à vida de Hugh depois que ele passou a criar retratos para famílias de luto – Instagram/Reprodução/ND Mais
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Cerca de 400 pedidos fazem parte atualmente do trabalho da fundação criada por Hugh – Instagram/Reprodução/ND Mais
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Antes de criar a fundação, Hugh já gostava de pintar – Instagram/Reprodução/ND Mais
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A Eternal Canvas também aceita doações únicas ou recorrentes para financiar a produção das pinturas feitas por sua equipe de artistas – Instagram/Reprodução/ND Mais
No início, ele pagava tintas, pincéis e telas com o dinheiro que ganhava ajudando o pai e o irmão a afiar facas em uma feira de produtores rurais nos fins de semana. Depois, passou a encomendar obras de artistas de vários países por uma plataforma online. Muitos desses artistas também já haviam enfrentado perdas doloridas.
Fundação tem cerca de 400 pedidos ativos
Há cerca de um ano, Hugh conseguiu recursos para registrar a ‘Eternal Canvas’ como uma organização sem fins lucrativos, isenta de impostos sob a seção 501(c)(3). A fundação tem atualmente cerca de 400 pedidos ativos.
Hugh ainda faz o máximo de retratos que consegue. O trabalho, segundo ele, pode ser emocional porque cada pintura representa a história de uma pessoa.
“O luto é algo tão pessoal, mas também é universal”, afirmou. Para ele, cada retrato exige lembrar que aquela pessoa “tinha seu próprio mundo, sua própria história”.
O artista já foi reconhecido diversas vezes pelas suas produçõesFoto: Instagram/Reprodução/ND MaisUma das histórias que mais o marcou foi a de uma mulher de Samoa. Ela foi aos Estados Unidos para cuidar da filha adulta, que enfrentava um câncer, mas descobriu que também estava doente. Para não preocupar a filha, escondeu o diagnóstico até o último mês de vida.
Arte voltou a fazer parte da vida do adolescente
Hugh é estudante do último ano do ensino médio e também luta pela equipe de sua escola. Na infância, gostava de pintar, mas deixou a atividade de lado à medida que se interessou mais pelos esportes.
A participação na Eternal Canvas o fez voltar à arte. “Foi um momento de fechamento de ciclo quando percebi o poder que a arte pode ter”, contou.
Ele agora prepara outro retrato para McAllister, desta vez do marido e dos filhos dela. Para a mulher, o gesto mostra a dedicação do adolescente. “Vem do coração dele”, afirmou.
Os interessados podem solicitar retratos pelo site da Eternal Canvas Foundation. A organização também recebe doações únicas ou recorrentes para manter o trabalho dos artistas.
Para Hugh, a pintura representa mais do que a imagem de alguém que morreu. “Não é apenas um retrato”, disse. “É como se fosse alguém que teve uma presença na Terra e que, para a família, continua vivendo em seus corações”, completou.