O candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que não reconhece o resultado do segundo turno e que sua campanha vai pedir à Justiça a anulação da eleição.
Em pronunciamento após a divulgação do resultado, ele disse que “é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto de como essas coisas aconteceram” e declarou: “Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo”.
Lula virou resultado e obteve 64,2 milhões de votos
Segundo os dados do TSE, com 99,99% das seções totalizadas (499.243 de 499.248), Lula (PT) obteve 51,79% dos votos válidos, com 64.255.541 votos.
Flávio Bolsonaro teve 48,21%, com 59.825.679 votos, uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos.
O painel do tribunal indica “eleição matematicamente definida”. A abstenção ficou em 19,22%, e o comparecimento, em 80,78%.
Flávio criticou decisão de Zanin
A primeira declaração de Flávio após derrota nas urnas mirou a decisão que estendeu o horário de votação.
Flávio criticou duramente o ministro Cristiano Zanin, autor da decisão limitar. “Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele”, disse.
Segundo ele, o magistrado, “que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral”, tomou às 17h01 uma decisão “atropelando a Justiça especializada” e prorrogando a votação por duas horas.
O candidato classificou o episódio como “inaceitável” e disse que houve “uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados”.
“Eu nunca vou saber se, num estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, reclamou o candidato.
Sem apresentar provas, Flávio ainda declarou que fiscais do PL “foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento em que a decisão foi tomada”.
Flávio garantiu que vai pedir anulação do pleito
O candidato disse que vai acionar o jurídico da campanha para pedir a anulação do pleito.
“Tem muita coisa pra ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu”, afirmou.
Ele encerrou pedindo que os apoiadores não desistam: “Eu não vou desistir do meu Brasil.”
Leia o pronunciamento na íntegra:
Bom, boa noite pra todo mundo. O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo no meio do jogo.
Às 17h01, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a Justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados. Eu nunca vou saber se, num estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconteceu.
Inclusive, nas palavras de algum ministro aí, que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições em que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível, é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto de como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal.
É inexplicável isso ter acontecido. As coisas acontecem do nada, a pedido de um ex-sócio do próprio Zanin, e ele atende a um pedido por cima da Justiça Eleitoral. E outra coisa, o detalhe que poucos sabem aqui: os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento em que a decisão foi tomada.
Então, tem muita coisa pra ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu agora nessas eleições. Eu não vou desistir do meu Brasil. Espero que você, que tenha me assistido, também não desista. Obrigado.