Poucos meses depois de confirmar sua estreia oficial no Brasil, a Lotus passou por uma mudança importante em sua estrutura global. A Geely concluiu a aquisição da fatia restante da Lotus UK e, por meio da Lotus Technology, passou a controlar 100% da operação britânica, incluindo a fábrica de Hethel e a Lotus Engineering.
A reorganização coloca sob o mesmo comando duas faces bastante diferentes da fabricante. De um lado estão carros eletrificados como Eletre e Emeya, desenvolvidos já sob forte influência da Geely. Do outro está o Emira, esportivo de motor central que mantém viva a fórmula mais tradicional da Lotus, incluindo motor V6 e câmbio manual.
Foto de: Lotus
Geely passa a controlar toda a Lotus
Concluída em 21 de agosto, a operação colocou a Lotus UK definitivamente dentro da estrutura da Lotus Technology. Com isso, a fábrica de Hethel, na Inglaterra, onde são produzidos Emira e Evija, passa a responder ao mesmo comando responsável pelos SUVs e sedãs eletrificados da marca.
A mudança acaba com uma separação que ainda existia dentro da Lotus mesmo após a entrada da Geely, em 2017. Enquanto a estrutura britânica permanecia concentrada nos esportivos produzidos em Hethel e na tradicional Lotus Engineering, a Lotus Technology comandava boa parte da expansão global e dos novos produtos eletrificados.
Qingfeng Feng, CEO da Lotus, resumiu a nova estrutura ao afirmar que a fabricante agora é “uma marca, uma estratégia e um negócio”. A união também faz parte do plano Focus 2030, que prevê aproximar o trabalho desenvolvido pelos britânicos dos novos projetos globais da empresa e, por que não, também reduzir custos.

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E o que acontece com o Emira?
O Emira talvez seja o melhor exemplo das duas filosofias de produto que hoje convivem dentro da Lotus. Afinal, ele ainda segue muito dos conceitos que ajudaram Colin Chapman a construir a reputação da marca, apostando no limite do que as legislações e homologações atuais permitem no quesito baixo peso e em uma relação mais direta entre carro e motorista.
Eletre e Emeya, por sua vez, estão do outro lado dessa história. Apesar do desempenho e comportamento de esportivos de verdade, são carros maiores, (muito) mais pesados e carregados de tecnologia, bem distantes da leveza e da conexão entre homem e máquina pelas quais a Lotus ficou conhecida.
Essa diferença ganha ainda mais importância agora que todos passam a responder à mesma estrutura. Com dois lugares e motor instalado atrás da cabine, o Emira pode ser equipado tanto com um quatro-cilindros turbo quanto com um V6 supercharged. Este último ainda pode ser configurado com câmbio manual de seis marchas, uma combinação cada vez mais rara entre esportivos atuais.
Na prática, a marca não deve mexer nessa parte do seu legado, mas sim otimizar o desenvolvimento dos novos elétricos e híbridos de alto desempenho que prepara até o fim da década. A marca chegou a apostar que os carros a bateria dominariam rapidamente seu portfólio, mas já reviu os planos e passou a trabalhar com uma estratégia mais aberta e multi-energia.
Entre os próximos projetos estão novas motorizações e até um futuro superesportivo com motor V8. A fabricante também poderá recorrer a propulsores V6 e V8 fornecidos por parceiros em vez de desenvolver todos os conjuntos internamente, liberando parte da engenharia de Hethel para outras áreas.

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Brasil terá Lotus raiz e elétricos
A mudança acontece justamente às vésperas do início da operação oficial da Lotus no Brasil, onde a marca será comercializada de forma independente da Geely. Além do Emira, já estão confirmados Eletre, Emeya e Evija, este último um hipercarro elétrico de 2.039 cv com apenas 130 unidades previstas para todo o mundo. Duas delas serão destinadas ao mercado brasileiro.
A gama ainda deverá crescer nos próximos anos. A Lotus já confirmou a intenção de trazer ao país modelos com tecnologia EREV, sistema no qual um motor a combustão funciona como gerador para ampliar a autonomia. Preços, versões definitivas e o cronograma de chegada de cada modelo serão divulgados mais adiante.
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