Em 16 de fevereiro de 2001, o Litoral do Paraná foi marcado por um dos principais vazamentos de óleo da região. Na ocasião, mais de 52 mil litros de óleo diesel vazaram do poliduto Olipar, que liga a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a um terminal em Paranaguá. O combustível se espalhou pela Serra do Mar, atingindo uma área entre Morretes e a baía de Antonina.
Após duas décadas e meia de trâmites judiciais, o caso resultou na homologação de um acordo que prevê o pagamento de R$ 90 milhões pela Petrobras ao Governo do Paraná, valor autorizado no ano passado e destinado a financiar novos equipamentos meteorológicos.
O JB Litoral procurou o Instituto Água e Terra (IAT) para saber detalhes da utilização desse recurso. A relação de contratos disponibilizada pelo órgão revela que os valores correspondem à aquisição e instalação de radares meteorológicos e de torres metálicas que darão suporte aos equipamentos no Litoral.
Segundo o documento, Pontal do Paraná e Guaratuba estão entre os municípios contemplados pela ampliação da rede de monitoramento do Estado, que inclui outras cidades paranaenses.
Em Pontal, o radar foi contratado por R$ 5,84 milhões. Já o de Guaratuba integra um contrato de R$ 10,26 milhões para a aquisição de dois radares, sendo um para o município litorâneo e outro para Fazenda Rio Grande, na RMC.
Além dos dois municípios do Litoral serão instalados outros quatro em Jandaia do Sul, Campo Magro, Teixeira Soares e Fazenda Rio Grande. Os contratos para aquisição dos seis aparelhos somam, aproximadamente, R$ 56,67 milhões. O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) explicou ao JB Litoral que esses últimos ainda não estão em fabricação.
ESTRUTURA PARA A INSTALAÇÃO DOS RADARES
O Estado também adquiriu cinco torres metálicas, com 25 metros de altura, para a instalação de parte dos novos equipamentos.

No caso das torres, a distribuição é a seguinte: uma em Jandaia do Sul, por R$ 2,95 milhões; uma em Campo Magro, que custou R$ 2,69 milhões; e outras três em Pontal do Sul, Guaratuba e Fazenda Rio Grande, reunidas em um contrato de R$ 3,93 milhões.
Os valores incluem, além das estruturas metálicas, serviços de fundação, transporte, montagem, pintura, galvanização, instalação de abrigo técnico, cercamento, sistemas de segurança e entrada de energia elétrica.
Somados, com os contratos apresentados pelo IAT para a compra dos radares e implantação das torres, o investimento chega a cerca de R$ 66,24 milhões.
AINDA SEM DATA DEFINIDA PARA PONTAL DO PARANÁ
O equipamento da Banda X previsto para Pontal do Paraná promete ampliar a capacidade de acompanhar chuvas e outros fenômenos na região. O dispositivo passou por testes na fábrica da empresa Gamic, em Aachen, na Alemanha. Quem fará a operação será o Simepar, com técnicos que acompanham todas as etapas até a chegada ao município.

Segundo a entidade, o modelo já montado na fábrica será submetido a várias simulações em uma estrutura de laboratório, com sensores ao redor, enquanto se movimenta e faz a transmissão de dados com potência máxima. Os instrumentos mostram em tempo real a resposta a cada parâmetro testado, com interação e avaliação imediata da equipe local para verificar se atende aos requisitos do edital de licitação.
O Simepar explicou, ainda, que o modelo Banda S vai substituir o de Teixeira Soares, no Centro-Sul do Paraná, em operação há mais de 30 anos e que está no fim da vida útil. O ponto geográfico é considerado estratégico para o monitoramento de chuvas no Litoral, e o novo será instalado na mesma estrutura de concreto, com mais de 20 metros de altura, já existente no local.
Os equipamentos têm características diferentes. Enquanto o Banda S possui maior alcance para acompanhar sistemas de chuva em áreas extensas, o Banda X permite observar os fenômenos com mais detalhamento em áreas próximas. A atuação conjunta amplia a cobertura e a precisão.
Para o JB Litoral, o Simepar informou que foram estudados três pontos de instalação em Pontal do Paraná. “A equipe da Gamic veio da Alemanha para verificar junto os locais, mas ainda não está definido”, divulgou.
A data da implantação não foi confirmada, mas os próximos passos são a emissão do laudo do teste e a desmontagem para envio ao Brasil. A expectativa é ter todos em operação em 2027. “No Litoral, temos estações meteorológicas, pluviométricas, hidrológicas e inclinômetros na Estrada da Graciosa para verificar deslocamento de massa (monitoramento de risco de deslizamentos)”, destacou o órgão.
REFORÇO PARA O TRABALHO DA DEFESA CIVIL
De acordo com a Prefeitura de Pontal do Paraná, a possibilidade de implantação no município já estava em pauta em janeiro de 2026, durante uma reunião com autoridades da área e da gestão. Na prática, o equipamento ajuda a identificar onde estão as áreas de chuva, para onde estão se deslocando e como os fenômenos estão evoluindo.
Por isso, a Administração Municipal avalia que essas informações poderão auxiliar órgãos como a Defesa Civil no acompanhamento de situações que podem provocar alagamentos, enxurradas, deslizamentos e outros impactos.