O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega aos Estados Unidos dando recados ao presidente Donald Trump. Em entrevista à CNN Internacional, o petista afirmou que o republicano não tem direito sobre o governo de outros países.
Lula está em Nova York para a abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que ocorre entre os dias 22 e 28 de setembro de 2026.
O mandatário brasileiro será o primeiro a discursar no evento, com uma fala centrada na defesa da soberania das nações. Logo em seguida, o púlpito será ocupado por Donald Trump, alvo de críticas diretas do petista às vésperas do encontro diplomático.
Lula antecipou tom de seu discurso na ONU
Em entrevista concedida à jornalista Christiane Amanpour, Lula antecipou o tom de seu discurso ao rechaçar o unilateralismo e defender uma governança global compartilhada.
Segundo o presidente brasileiro, “a melhor maneira de mantermos o mundo em harmonia é fortalecermos o multilateralismo”.
Na entrevista, Lula criticou ‘modo de governar’ de Trump.
“Ele tem um modo de governar com o qual eu não concordo… ‘Eu sou o mais poderoso, sou o mais rico, posso fazer tudo e todos os outros têm que obedecer’… Eu não concordo com isso”, declarou Lula.
Para o líder brasileiro, a força econômica e militar não justifica a interferência externa.
“O presidente Trump foi eleito presidente dos EUA. Ele tem o direito de governar. Mas não tem o direito de governar outros países. Ele não tem o direito de impor sua vontade. Gosto de ser respeitado e de demonstrar respeito”, disse o petista.
Ações na Venezuela
O foco na autodeterminação dos povos, pilar de sua mensagem para os 193 países-membros que se reúnem na ONU, foi ilustrado por críticas à atuação de Washington na América do Sul.
Lula classificou como “muito grave” o que os Estaos Unidos fizeram com a Venezuela.
“A soberania do país acabou. Isso não é bom. Não é bom para os EUA e não é bom para a Venezuela e não é bom para a democracia também”, pontuou.
Ao tratar da polarização política, Lula disse que “o que está em jogo hoje é uma escolha: ou temos democracia, ou temos barbárie”.