A fiscalização por inteligência artificial continua avançando pelas rodovias de São Paulo e acaba de chegar a mais uma região do estado. A Rodovia Raposo Tavares (SP-270) ganhou sua primeira câmera inteligente na região de Presidente Prudente, no interior paulista.
Instalada pela Cart (Concessionária Auto Raposo Tavares), a tecnologia começa a operar na próxima terça-feira, 1º de setembro, e será capaz de identificar comportamentos de risco, como uso do celular ao volante e falta do cinto de segurança.
A câmera foi instalada no trecho urbano da SP-270 em Presidente Prudente, entre o km 560, onde fica uma base da Polícia Militar Rodoviária, e o km 572, nas proximidades da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste). A localização exata do equipamento não foi divulgada.
O sistema já está integrado à estrutura de fiscalização da Polícia Militar Rodoviária e, segundo a concessionária, funciona amparado pela Resolução nº 909 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Esta é mais uma etapa de uma transformação que o Motor1.com Brasil vem acompanhando nos últimos meses.
Câmeras com inteligência artificial já estão presentes em diferentes rodovias paulistas e são capazes de enxergar infrações que os radares convencionais de velocidade não detectam. Com a expansão dos equipamentos, comportamentos praticados dentro do carro entram definitivamente no alcance da fiscalização eletrônica.
Radares com IA já aplicam multas na rodovia Raposo Tavares em São Paulo
Foto de: Motor1 Brasil
IA consegue identificar o que acontece dentro do carro
As novas câmeras não devem ser confundidas com os radares tradicionais instalados para fiscalizar a velocidade. A tecnologia utiliza imagens de alta definição combinadas a sistemas de processamento capazes de analisar o veículo e identificar situações previamente determinadas, inclusive dentro da cabine dos veículos.
É assim que o equipamento consegue apontar, por exemplo, um motorista segurando ou manuseando o telefone celular enquanto dirige ou um ocupante sem o cinto de segurança. O sistema faz a análise das imagens e separa os registros que apresentam indícios de infração para integração com a fiscalização da Polícia Militar Rodoviária.
A tecnologia permite manter esse monitoramento de maneira contínua, ampliando consideravelmente a capacidade de fiscalização em comparação com a observação feita exclusivamente por agentes posicionados na rodovia. Na prática, comportamentos que antes eram difíceis de identificar sem uma abordagem ou sem que uma viatura estivesse próxima agora passam a ficar permanentemente sob o alcance das câmeras com IA.
Apesar da capacidade de identificação automática, isso não significa que uma inteligência artificial tenha autoridade para aplicar multas por conta própria. O sistema funciona como ferramenta de fiscalização e registro, enquanto a constatação da infração e a emissão da autuação permanecem submetidas aos procedimentos previstos pela legislação e à atuação da autoridade de trânsito.

Radares com IA começam a operar no Rodoanel em São Paulo
Foto de: Motor1 Brasil
Fiscalização com IA está se espalhando por São Paulo
A chegada da câmera a Presidente Prudente reforça uma mudança que deixou de estar concentrada na Região Metropolitana de São Paulo. Nos últimos meses, diferentes concessionárias passaram a testar ou colocar em operação equipamentos capazes de identificar infrações por meio de processamento inteligente de imagens.
No Rodoanel Mário Covas, por exemplo, o primeiro balanço divulgado pela SPMAR mostrou a dimensão do que essas câmeras conseguem identificar. Em apenas 28 dias de monitoramento, entre 12 de maio e 9 de junho, foram registrados 4.879 casos de infrações, uma média de 168,2 por dia.
Desse total, 2.420 registros envolviam motoristas sem cinto de segurança, equivalentes a 49,6% das ocorrências. Outros 1.440 eram passageiros sem o equipamento, enquanto 1.019 casos mostravam motoristas utilizando o celular durante a condução.
A tecnologia também já entrou em operação no Sistema Anchieta-Imigrantes e vem sendo testada em outros pontos da própria Raposo Tavares. O avanço para Presidente Prudente mostra que o modelo começa agora a ganhar espaço também nas rodovias do interior.

Flagrantes dos novos radares com IA @Arteris ViaPaulista
Foto de: Reprodução
Raposo Tavares terá mais câmeras inteligentes
A instalação em Presidente Prudente é apenas o primeiro passo dos planos da Cart. A concessionária pretende ampliar a cobertura das câmeras inteligentes para outras regiões atendidas pela SP-270, incluindo Assis e Ourinhos. Ainda não foram divulgados os locais nem o cronograma para instalação dos próximos equipamentos.
Hoje, as rodovias administradas pela Cart entre Bauru e Presidente Epitácio já possuem 51 câmeras conectadas ao Centro de Controle Operacional (CCO). Esses equipamentos são utilizados para acompanhar o trânsito e as ocorrências em tempo real, permitindo acionar equipes de atendimento e agilizar a resposta em casos de acidentes ou outras situações nas pistas.
A nova câmera acrescenta outra camada a esse monitoramento. Além de servir de suporte à fiscalização da Polícia Militar Rodoviária, o sistema produzirá dados estatísticos sobre o tráfego e o comportamento dos motoristas. Segundo a concessionária, essas informações serão utilizadas para orientar medidas de segurança viária e melhorar a operação das rodovias.
Celular ao volante pode render multa de quase R$ 300
O avanço dessas câmeras também aumenta a possibilidade de que infrações cometidas dentro do veículo resultem efetivamente em penalidades. Dirigir segurando ou manuseando o telefone celular é infração gravíssima prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Deixar de usar o cinto de segurança é infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. A obrigação vale para todos os ocupantes do veículo. Caso as duas irregularidades sejam constatadas separadamente durante a fiscalização, o valor combinado das multas chega a R$ 488,70, além de 12 pontos na carteira.
É justamente nesse ponto que a disseminação da inteligência artificial pode provocar a maior mudança no comportamento dos motoristas. O Código de Trânsito não mudou e tampouco surgiram novas infrações. O que está mudando rapidamente é a capacidade de fiscalizar regras que já existem, mas que até então eram muito mais difíceis de controlar de forma permanente.

Radar de barulho em Curitiba
Um “Big Brother” começa a tomar conta das estradas
O motorista acostumado a associar fiscalização eletrônica apenas aos radares de velocidade terá de rever esse conceito. As novas câmeras conseguem ampliar o campo de observação para dentro dos veículos, enquanto os sistemas de inteligência artificial analisam um volume de imagens impossível de ser acompanhado individualmente por equipes humanas.
O efeito tende a ser semelhante ao provocado pela expansão dos radares de velocidade nas últimas décadas. Quanto maior o número de pontos monitorados, menor a possibilidade de contar simplesmente com a ausência de fiscalização para manter determinados hábitos.
A diferença é que, agora, o alcance vai além do velocímetro. Celular na mão, falta de cinto e outros comportamentos de risco passam a entrar no radar da tecnologia. A expansão anunciada para Assis e Ourinhos, somada aos equipamentos já utilizados em outras importantes rodovias paulistas, mostra que esse novo “Big Brother” das estradas começa a formar uma rede cada vez maior.
Para quem cumpre as regras, a mudança é essencialmente tecnológica. Para quem ainda dirige olhando para o telefone, deixa o cinto de lado ou adota comportamentos semelhantes quando acredita não haver fiscalização por perto, a combinação de câmeras de alta definição e inteligência artificial aumenta significativamente a possibilidade de ser flagrado — e de sentir a consequência também no bolso.
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