A duplicação da PR-407, principal ligação entre Paranaguá e Pontal do Paraná, avança para a etapa de licenciamento ambiental e promete mudar a dinâmica de um dos trechos mais movimentados do Litoral durante a temporada de verão. A obra é aguardada para aumentar a capacidade da rodovia e reduzir os congestionamentos que se formam com o aumento do fluxo de veículos em direção às praias do Paraná.
Ao todo, serão 13,9 quilômetros de ampliação, 7,9 quilômetros de vias marginais e 4,6 quilômetros de ciclovias. As intervenções têm como objetivo ampliar a capacidade da PR-407 e melhorar a mobilidade e a segurança.
As melhorias estão previstas para o quarto ano de concessão da EPR Litoral Pioneiro, responsável pela execução das obras, período que vai de 28 de fevereiro de 2027 a 28 de fevereiro de 2028.
Projeto prevê mudanças no acesso a Pontal do Paraná
O anteprojeto foi apresentado pela EPR Litoral Pioneiro durante as Reuniões Técnicas Informativas realizadas em Paranaguá e Pontal do Paraná na última semana. Os encontros fazem parte do processo de licenciamento e permitiram que moradores e representantes dos municípios apresentassem dúvidas, sugestões e demandas.
O JB Litoral acompanhou a reunião em Pontal do Paraná, na noite de quarta-feira (26), no Centro Municipal de Capacitação, no balneário Praia de Leste. Na ocasião, o prefeito, Rudisney Gimenes Filho, o Rudão (MDB), explicou que a duplicação ocorrerá do lado da sede da Prefeitura, ou seja, no sentido Paranaguá – Pontal, e que os motoristas terão uma marginal sinalizada e adequada.

Outra novidade é que o posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) será retirado do local onde está e transferido para a divisa com o município de Matinhos. A justificativa é que a cidade tem crescido e o posto não pode ficar no perímetro urbano.
Já na região do balneário Guaraguaçu será feito um retorno com adequações para atender aos anseios da comunidade. Segundo o prefeito, as desapropriações serão mínimas. “Tentamos trabalhar junto com a EPR para que haja o menor impacto em cima dos imóveis lindeiros (às margens da rodovia) para que não tivesse necessidade de desapropriar”, afirmou Rudão.
O prefeito destacou, ainda, que a intenção é interligar as rodovias e facilitar o acesso aos moradores do Litoral. “A obra deve estar conectada ao acesso à cidade e, ao mesmo tempo, a obra de Matinhos até Praia de Leste também vai se conectar”, disse.
Durante a reunião, foi apresentado o investimento total previsto, de R$ 146 milhões (R$ 146.343.934,53), para a execução dos serviços, além da estimativa de 300 trabalhadores diretos. Já a duplicação da PR-412, entre Matinhos e Praia de Leste, citada pelo prefeito, tem conclusão prevista para março de 2028, com investimento de R$ 274,5 milhões (R$ 274.500.000,00).
Rudão disse que também deve ser implantado um viaduto, fora do projeto da PR-407. “Ele iria conectar essa duplicação ao trevo que existe hoje e a obra que vem de Matinhos até Praia de Leste e também com o trevo. Temos trabalhado em cima disso com o Governo do Estado, com isso, o pessoal poderá acessar direto sem precisar parar, que é o que acontece nessa interseção”, disse.

Em Paranaguá, o encontro aconteceu na terça-feira (25), no Instituto Federal do Paraná (IFPR). A secretária municipal de Urbanismo e Planejamento Territorial, Vânia Foes, destacou que a PR-407 é importante para a mobilidade e para o desenvolvimento das áreas no entorno.
“Paranaguá é um polo, mas fazemos parte de uma região, e precisamos entender a conectividade entre as cidades. Um projeto que traz ciclovias e retornos mais seguros realmente representa um ganho para a nossa população”, afirmou.

Reuniões são condicionantes para a licença de operação
O licenciamento ambiental é conduzido pelo Instituto Água e Terra (IAT), por meio do processo nº 26.154.744-9. Atualmente, o procedimento está na etapa de solicitação da Licença Prévia (LP).
O diretor executivo da concessionária, Felipe Neves, disse que foi dada a oportunidade para a comunidade se manifestar em ambos os municípios. “Todas as solicitações apresentadas durante as reuniões são estudadas no detalhe e, quando aplicáveis, são levadas junto à ANTT para aprovação. Somente assim finalizamos o projeto que realmente será executado”, pontuou.
BNDES destina recursos para a concessão
Em entrevista recente ao JB Litoral, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) disse que o planejamento da concessão foi feito em conjunto com os governos estadual e federal.
“E precisava de recursos, porque o privado, a concessionária não tem para colocar. Então, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) fez um aporte na triplicação, por exemplo, da BR-277. São mais de R$ 6 bilhões, com recurso e juros subsidiados. O juro é muito mais barato que no mercado”, declarou.
A senadora destacou que as obras da concessão devem ser realizadas nos primeiros dez anos do contrato. “Isso é muito importante, porque a concessão passada era muito ruim. Tinha previsão de fazer obras e, no final, não fizeram. Foram vários reequilíbrios de contrato, cobrando alto pedágio sem dar devolutiva para os usuários. Agora não, vamos ter outra realidade. E foi uma decisão política, porque podia não fazer, o governo antes de nós não fez”, frisou.
Para a BR-277, estão previstos no plano de obras da concessionária, com início no próximo ano, 17 quilômetros de ciclovia, quatro diamantes, faixas adicionais na região de São José dos Pinhais, um viaduto (no quilômetro 7, em Paranaguá) e vias marginais.
Todas as intervenções separadas por rodovia estão disponíveis no site da EPR Litoral Pioneiro, na seção “Nossas Obras”.