Por: Redação
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Atualizado em 25 de outubro de 2026, 13h28
Saúde, educação e segurança pública formam o tripé que norteia a gestão de um município. Pelo menos deveria. Isso inclui o zelo com as crianças e a promoção de uma educação de qualidade, com o suporte necessário para que elas possam se desenvolver.
O fornecimento de uniformes escolares faz parte desse mínimo para garantir o acesso adequado dos alunos parnanguaras à educação, mas a Prefeitura de Paranaguá não foi capaz de executá-lo em 2026.
Está lá na justificativa da licitação de R$ 9,1 milhões, 62% a mais do que os uniformes custaram no ano passado:
“A aquisição fundamenta-se com a finalidade de atender às necessidades da rede pública de ensino do Município de Paranaguá, para distribuição gratuita aos estudantes regularmente matriculados. A medida integra a política municipal de valorização da educação básica, alinhando-se aos princípios constitucionais de equidade, dignidade, segurança e permanência dos alunos no ambiente escolar. A padronização da vestimenta escolar representa um importante instrumento de gestão pedagógica e social, contribuindo diretamente para a promoção da igualdade de condições entre os estudantes. O uso do uniforme possibilita a identificação dos discentes dentro e fora da unidade de ensino, promovendo maior segurança no trajeto e nas dependências escolares, além de reforçar o sentimento de pertencimento à comunidade escolar e favorecer a disciplina.”
Mas os nossos 14.500 alunos e suas respectivas famílias ficaram desprovidos de tudo isso. Atravessaram todo o inverno sem uniforme adequado aos dias frios. Percorreram todo o ano sem as meias e os tênis que deveriam ter sido entregues no kit. Quem tem criança sabe o quanto elas crescem rápido. Não dá para usar o uniforme de um ano no próximo, pois as roupas não cabem mais.
E o pior, mesmo com o valor tão elevado para a compra dos materiais, a justificativa não é um problema com as empresas contratadas, um descumprimento de contrato, mas que as peças “seguem em confecção” e só serão entregues em 2027. Oi? Como assim?
Com atas de registro de preços sendo assinadas no fim de setembro, realmente não tem como as nossas crianças receberem os uniformes que pesaram tanto no orçamento da Administração Municipal. Agora, resta saber: se os de 2026 só chegarão em 2027, então não haverá uma nova licitação no ano que vem?
Os recursos de um ano são definidos no anterior, ou seja, o orçamento para 2026 ficou estabelecido em 2025. Então, o que justifica fazer uma licitação de itens essenciais apenas no fim do primeiro semestre, sendo que eles deveriam estar com as nossas crianças no começo do ano letivo?
Temos algumas opções: falta de planejamento, de comprometimento com a população, de transparência (o que justifica um aumento tão expressivo de um ano para outro?) ou se resume à carência de competência mesmo?
O que não podemos aceitar, enquanto cidadãos de Paranaguá, é que algo tão grave fique sem respostas claras da Prefeitura da maior cidade do Litoral.