A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), abriu a revisão das medidas antidumping aplicadas às importações da China de cilindros para armazenamento de gás natural veicular (GNV). A abertura foi publicada no último dia 23, após pedido protocolado pelo grupo MAT. Durante a investigação, os direitos antidumping permanecem em vigor.
Na análise preliminar, o governo concluiu haver indícios de que a extinção da medida poderia levar à retomada do dumping e à repetição de danos à indústria nacional. Segundo a análise técnica divulgada pelo MDIC, seguem presentes sinais de forte influência estatal sobre a indústria chinesa, com mecanismos como subsídios, crédito favorecido, incentivos às exportações, controle de custos de insumos estratégicos e elevada capacidade excedente na siderurgia.
De acordo com a MAT, fabricante brasileira de equipamentos para armazenamento e compressão de gases, a discussão ocorre em meio à expansão do mercado brasileiro de biometano e ao avanço de veículos pesados movidos a gás. A empresa afirma que os mesmos cilindros de alta pressão usados no GNV também são empregados em ônibus e caminhões abastecidos com biometano, combustível renovável produzido a partir de resíduos urbanos, agroindustriais, aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto.
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Na petição apresentada ao MDIC, a MAT sustenta que o mercado de cilindros de alta pressão passa por transformação com a expansão de ônibus e caminhões a gás natural e, principalmente, a biometano. A empresa também argumenta que a competitividade desse nicho depende de condições equilibradas de concorrência e cita que importações de países como Polônia e Suécia ocorreriam em níveis de preços compatíveis com o mercado, em contraste com as originárias da China.
A medida antidumping em vigor foi instituída em 2021. Segundo o governo, a revisão deverá ser concluída em até dez meses, com possibilidade de prorrogação em casos excepcionais.
A MAT mantém uma planta em Jundiaí, em São Paulo, para fabricação de cilindros de alta pressão, e outra em Porto Real, no Rio de Janeiro, para produção de carretas de transporte. Desde 2022, também comercializa no Brasil compressores produzidos pela italiana Graf, em associação com sua própria linha de produtos.
Fonte: Estadão Conteúdo
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