O Porto de Paranaguá foi a principal porta de entrada dos fertilizantes importados no país em 2025, movimentando sozinho cerca de 10,89 milhões de toneladas, ou 22,17% do recorde histórico, que registrou entregas de 49,1 milhões de toneladas no ano passado. O resultado positivo faz parte de uma evolução que vem sendo noticiada pelo JB Litoral desde o início da atual década. No entanto, ao longo de 2026, o cenário tem se mostrado adverso, com retração estimada entre 10% e 15%.
A análise dos fatores que explicam os números deste ano e as projeções que sinalizam uma recuperação para 2027, quando o volume de entregas deve atingir 47,5 milhões, foram apresentadas durante o 20º Simpósio Sindiadubos NPK 2026, na última quinta-feira (22), em Curitiba. O JB Litoral acompanhou o evento, que reuniu público recorde de 1,2 mil participantes de mais de 350 empresas do Brasil e do exterior.
Considerado o maior encontro presencial do setor, o evento teve sua abertura conduzida pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR), Aluisio Schwartz Teixeira. Ele destacou as flutuações atípicas de preços e a forte pressão geopolítica internacional como fatores que influenciaram significativamente os resultados.
“As principais dificuldades têm origem na geopolítica, que afetou frontalmente as importações de fertilizante. Então, esse negócio do Estreito de Ormuz [ponto central do conflito armado envolvendo o Irã, os Estados Unidos e seus aliados, que começou em 28 de fevereiro de 2026], que uma hora abria, outra hora fechava, restringiu muito as nossas operações, pois, por ali passa boa parte do fertilizante do mundo”, disse, em entrevista ao JB Litoral.
O presidente também avaliou o que é necessário para retomar o crescimento. “Os outros impactos também giram em torno de conflitos, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, drones atingindo fábricas de fertilizante, a China restringindo a exportação de alguns produtos para o Brasil e para o mundo. E, para o próximo ano, enxergamos as coisas um pouco melhores. Temos a expectativa de que a taxa de juro seja reduzida, pois ela impacta muito o agricultor. E a questão toda da macroeconomia também, estamos com uma expectativa boa”, completou Schwartz.
Entre os presentes no simpósio, também esteve o presidente do Conselho de Administração da Copadubo Transportes e Logística S/A, Allan Derik Constantino Benkendorf. A Copadubo é uma das principais entidades de transporte e logística do Paraná, sediada em Paranaguá. Especializada no escoamento e movimentação de granéis, com destaque para o transporte de fertilizantes no Porto de Paranaguá, a empresa considera fundamental que as condições políticas também sejam favoráveis para que o setor volte a apresentar resultados positivos.

“A geopolítica internacional influenciou muito no preço dos fertilizantes, na disponibilidade do fertilizante para o Brasil. Com isso, a importação reduziu cerca de 27%, o que impactou toda a cadeia logística. O agronegócio não começa na plantação, começa da porta para fora, na importação do fertilizante. Isso impactou o nosso setor. Também tem o El Niño, então, são muitos fatores que influenciam no que vai acontecer com o agronegócio brasileiro para 2027”, ressaltou Allan.
BANCADA PARANAENSE REFORÇA DEMANDAS DO SETOR
Em meio a tantos desafios, as entidades de classe atuam em conjunto com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), associação suprapartidária de deputados federais e senadores criada para defender e promover os interesses da atividade agropecuária.
Dois deputados federais pelo Paraná e integrantes da FPA, Tião Medeiros (PP) e Pedro Lupion (Republicanos), também participaram do 20º Simpósio Sindiadubos NPK 2026 e discursaram durante o evento.

“É a minha 4ª participação aqui no simpósio do SindAdubos NPK. E a ideia é falar sobre as pautas legislativas de interesse do agronegócio e que repercutem, claro, na demanda do fertilizante. Melhorar a legislação, pautas importantes como o Pro-Frete, que acabou de ser aprovado, uma legislação que atua diretamente na área de fertilizantes; um novo marco regulatório, questões como a tabela, o custo do combustível; as novas matrizes de bioenergia como etanol de milho e a mistura do biodiesel. Então, no Congresso, trabalhamos em busca de soluções para uma extensa pauta de reivindicações”, afirmou Tião Medeiros, em conversa com o JB Litoral.
E Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, defendeu quais aspectos precisam ser alterados para permitir o crescimento do agronegócio.
“Estamos aqui em meio aos que dependem especificamente que a economia vá bem. Se o frete for caro, eles que pagam a conta. A gente não tem mais o frete de retorno, o diesel está altíssimo, a importação muito difícil, as guerras, os problemas geopolíticos, tudo isso tem impactado diretamente. Na hora da planilha, o produtor vai lá e corta o que é mais supérfluo, vai lá e corta o fertilizante, porque ele não pode cortar a semente. Então, nós precisamos criar um ambiente próspero para o setor agropecuário e isso se faz através da política”, disse Lupion.

Apesar dos desafios domésticos e incertezas globais, a expectativa é que as entregas de fertilizantes fechem o ano em 43,6 milhões de toneladas, o que corresponderia a uma queda de 11% em relação ao volume contabilizado em 2025. No entanto, as projeções são atualizadas a cada mês, então esse percentual pode variar até o final de dezembro, segundo dados divulgados no simpósio.








