O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a realizar mais cirurgias de reconstrução mamária do que mastectomias pela primeira vez na história, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Em entrevista ao ND Mais, ele atribuiu o avanço ao aumento da remuneração dos procedimentos na rede pública e afirmou que a medida contribui para reduzir a fila de mulheres que aguardam a reconstrução da mama após a retirada parcial ou total do órgão.
A mudança faz parte das ações do programa Agora Tem Especialistas, que também busca ampliar a oferta de consultas, exames e cirurgias especializadas. Na entrevista, Padilha abordou ainda a expansão do rastreamento do câncer de mama, a disponibilização de medicamentos modernos contra 13 tipos de câncer, o atendimento psicológico remoto para mulheres em situação de violência e o uso de dados dos serviços de saúde para orientar políticas de prevenção ao feminicídio e à violência sexual.
“Pela primeira vez na história do SUS, a gente faz mais cirurgias reparadoras do que o volume de mastectomia”, afirmou o ministro.
Segundo Padilha, a nova tabela do programa Agora Tem Especialistas prevê uma remuneração maior para as cirurgias reparadoras de mulheres que passaram por mastectomia. O objetivo é estimular a realização dos procedimentos e reduzir o tempo de espera nas filas dos municípios e estados.
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Na entrevista, o ministro não apresentou os números absolutos de reconstruções mamárias e mastectomias nem o período utilizado para a comparação.
SUS deve superar recorde de cirurgias em 2026
A redução das filas de atendimento especializado foi apontada por Padilha como uma das principais prioridades do Ministério da Saúde. Segundo ele, o SUS realizou quase 15 milhões de cirurgias eletivas em 2025, o maior volume da história do sistema, e a previsão é ultrapassar 16 milhões em 2026.
O programa Agora Tem Especialistas atua em duas frentes: ampliar a oferta de procedimentos e digitalizar o acompanhamento das filas, permitindo que os pacientes tenham mais informações sobre o atendimento e acesso à telessaúde.
De acordo com o ministro, a nova tabela de remuneração pode pagar de três a quatro vezes o valor da tabela anterior do SUS para determinados procedimentos. A medida busca incentivar hospitais estaduais, municipais e filantrópicos a ampliar a oferta de cirurgias.
Outra frente envolve hospitais privados, que podem participar de parcerias com o governo mediante mecanismos de compensação de dívidas ou redução de impostos, em contrapartida à realização de consultas, exames e cirurgias para pacientes da rede pública.
Padilha também citou as carretas do Agora Tem Especialistas, equipadas para realizar exames e procedimentos em diferentes regiões. Segundo ele, as unidades móveis já atenderam pessoas de 4,3 mil municípios brasileiros, em todos os estados, incluindo Santa Catarina.
O ministro afirmou que as carretas permanecem cerca de 30 dias em cada localidade e podem zerar filas de exames relacionados à saúde da mulher e a outros problemas de saúde atendidos pela estrutura.
Telemedicina e diagnóstico de câncer
A ampliação da telessaúde também integra a estratégia para reduzir a espera por especialistas. Segundo Padilha, pacientes atendidos em unidades básicas podem realizar consultas remotas com cardiologistas, endocrinologistas e outros profissionais, conforme a necessidade.
Outra iniciativa citada foi o Supercentro Brasil de Diagnóstico para o Câncer, desenvolvido em parceria com o Hospital A.C. Camargo. A estrutura recebe lâminas e materiais de biópsias para análise, com a proposta de reduzir o tempo de espera por resultados.
Segundo o ministro, exames que em algumas regiões levam meses para ser concluídos podem ter os resultados devolvidos em até sete dias por meio do serviço.

Ministro da Saúde, Alexandre PadilhaVídeo: ND Mais
Nove medicamentos modernos para 13 tipos de câncer
Padilha afirmou que o SUS passa a disponibilizar nove medicamentos modernos destinados ao tratamento de 13 tipos de câncer, entre eles os de mama, próstata e pulmão.
Segundo ele, os tratamentos podem aumentar a sobrevida dos pacientes, reduzir a mortalidade e diminuir o risco de recidiva, quando a doença retorna, e de metástase, quando se espalha para outras partes do corpo.
O ministro destacou que alguns desses medicamentos podem custar mais de R$ 300 mil por tratamento. Com a oferta pela rede pública, a intenção é ampliar o acesso a terapias de alto custo e reduzir o impacto financeiro para as famílias.
De acordo com Padilha, parte dos medicamentos foi comprada diretamente pelo Ministério da Saúde, que ficará responsável pela distribuição. Outros serão adquiridos pelos hospitais, por meio de serviços de farmácia centralizada, em articulação com estados e municípios.
A nova tabela também prevê remuneração adicional para a administração dos medicamentos, incluindo procedimentos que utilizam cateteres específicos. Segundo o ministro, o objetivo é proporcionar mais segurança ao paciente, conforto durante o tratamento e redução de desperdícios.
Na entrevista, Padilha não detalhou os nomes dos nove medicamentos nem especificou o cronograma de disponibilização de cada um deles.
Mamografias bateram recorde em 2025
Ao abordar o câncer de mama, Padilha afirmou que o SUS registrou em 2025 o maior número de mamografias já realizadas no país e que a expectativa é superar o recorde em 2026.
O ministro também citou a ampliação da faixa etária contemplada pelo rastreamento, conforme as recomendações do Ministério da Saúde. Segundo ele, uma pesquisa do Vigitel, realizada com mulheres das capitais brasileiras, indica que mais de 90% delas estão cumprindo as recomendações de rastreamento.
Padilha ressaltou ainda a importância da prevenção, com a redução de fatores de risco associados ao câncer, como tabagismo, alimentação inadequada, obesidade e sedentarismo.
Ministério quer usar dados da saúde para combater o feminicídio
Outro tema abordado na entrevista foi a inclusão do feminicídio na Classificação Internacional de Doenças (CID), sistema utilizado pelos profissionais de saúde para registrar doenças e causas de atendimento.
Segundo Padilha, a possibilidade de identificar especificamente o feminicídio nos registros pode ajudar a reduzir casos classificados genericamente como mortes violentas ou de causa indefinida.
Para o ministro, informações mais precisas permitem compreender melhor a dimensão da violência contra as mulheres e contribuem para orientar políticas de prevenção, proteção das vítimas e responsabilização dos criminosos.
Padilha também citou dados de notificações compulsórias feitas por profissionais de saúde que atendem mulheres e identificam suspeitas de violência. Segundo os percentuais mencionados por ele, 70% dos autores de estupro são pessoas conhecidas das vítimas e 60% são parentes.
Nos casos envolvendo vítimas menores de 18 anos, o ministro afirmou que metade dos autores seria o pai ou o padrasto.
Os percentuais foram citados pelo ministro durante a entrevista, sem indicação, na transcrição, da base estatística específica ou do período de referência.
Padilha defendeu que essas informações sejam utilizadas para orientar ações de prevenção, inclusive nas escolas, e para preparar os profissionais de saúde para identificar sinais de risco e possíveis situações de violência.
Mulheres em situação de violência terão atendimento psicológico remoto
Atendimento pode ser solicitado pelo aplicativo Meu SUS DigitalFoto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília/ND MaisO ministro também destacou a oferta de atendimento em saúde mental por teleconsulta para mulheres vítimas de violência ou que vivem em situações de insegurança que provocam sofrimento psicológico.
Segundo Padilha, o serviço pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital. A proposta é permitir o agendamento de consultas individuais ou em grupo com profissionais capacitados.
Ele afirmou que muitas mulheres deixam de procurar unidades básicas de saúde ou centros de atenção psicossocial por falta de tempo, medo de encontrar o agressor ou receio de que a situação seja conhecida por pessoas próximas.
O atendimento remoto busca oferecer uma alternativa para essas mulheres, sem substituir os demais serviços da rede pública de saúde.
Na entrevista, Padilha orientou as interessadas a acessar o Meu SUS Digital e procurar a opção de atendimento em saúde mental.
As iniciativas apresentadas pelo ministro reúnem medidas para ampliar o acesso a tratamentos especializados, reduzir filas no SUS e utilizar informações dos serviços de saúde para orientar políticas públicas, tanto no atendimento ao câncer quanto na prevenção da violência contra mulheres.