O Brasil precisa avançar na dragagem e na manutenção de hidrovias para ampliar o uso do transporte fluvial e reduzir o custo logístico do agronegócio, avaliou o presidente da Cargill no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, Paulo Sousa. A declaração foi feita na quinta-feira (10), durante o Agro Summit, promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo.
Segundo Sousa, o país dispõe de uma infraestrutura natural de baixo custo, mas precisa garantir condições regulares de navegação e maior integração entre modais. Na avaliação do executivo, o desenvolvimento das vias navegáveis deve fazer parte de uma estratégia mais ampla, com concorrência entre rodovias, ferrovias e hidrovias. “O que gera frete mais barato é competitividade”, afirmou.
Sousa defendeu a dragagem das hidrovias, com ressalva de que as intervenções devem ser ambientalmente adequadas. Para ele, diferentes alternativas para o transporte de uma mesma carga ajudam a pressionar custos e reduzem a dependência de um único modal.
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A discussão ocorre após impasses em torno da dragagem no rio Tapajós. Em dezembro de 2025, o governo federal abriu licitação de R$ 74,8 milhões para serviços de dragagem de manutenção entre Santarém e Itaituba, no Pará. Em fevereiro, indígenas ocuparam o terminal da Cargill em Santarém e cobraram consulta prévia às comunidades afetadas. O governo suspendeu o pregão e informou que empreendimentos ligados à Hidrovia do Tapajós seriam precedidos de consulta livre, prévia e informada, nos termos da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Em julho, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) só retome a licitação após a obtenção da licença ambiental prévia e a realização da consulta às comunidades potencialmente afetadas.
O Tapajós é um corredor estratégico para o escoamento de soja e milho do Centro-Oeste pelo Arco Norte. A hidrovia movimentou 16,8 milhões de toneladas em 2025, alta de 14,3% ante o ano anterior, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos. Soja e milho responderam por 88,4% do volume. A Cargill opera uma estação de transbordo em Miritituba, com capacidade de 4 milhões de toneladas por ano, e um terminal em Santarém, com capacidade anual de embarque de 4,9 milhões de toneladas.
A manutenção das hidrovias ganhou peso após as estiagens severas de 2023 e 2024 na Amazônia, que reduziram os níveis dos rios e impuseram restrições à navegação. Segundo estimativa do governo, o Brasil tem cerca de 41 mil quilômetros de malha hidroviária, dos quais aproximadamente 21 mil são navegáveis, e apenas 48% da capacidade economicamente viável é explorada.
Fonte: Estadão Conteúdo
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