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Terras indígenas representam preservação e cultura para o Cerrado

Um dos biomas mais ameaçados do país, o Cerrado vê nas Terras Indígenas um refúgio para áreas naturais. Uma proteção que vai além da preservação ambiental, mas também tem relação com a sobrevivência de culturas e populações originárias. Nesta sexta-feira (11/09) é comemorado o Dia Nacional do Cerrado.

O povo Boe Bororo vive atualmente em seis territórios no Mato Grosso, mas já ocupou terras que iam do Rio Xingu até a Bolívia e o centro sul de Goiás. O artesão e ativista Jean Bororo explica que o Cerrado não é só um bioma ou uma área de onde podem retirar recursos.

“É um espaço sagrado e a extensão da própria vida. É o território vivo aonde a espiritualidade, a organização social clânica dos clãs Ecerae e Tugarege é a memória ancestral se realizam na prática cotidiana. O Cerrado provém a matéria prima dos ornamentos, bocós, pigmentos, as fibras e os alimentos funcionam como um alicerce que sustenta a identidade e o pertencimento cultural”.

É essa relação que a população não-indígena ainda precisa entender, acredita Jean.

“A floresta e a fauna e o Cerrado só estão de pé porque os povos originários os habitam e protegem com base no respeito e na espiritualidade. Preservação não é isolar a natureza da humanidade, mas aprender com o conhecimento ancestral a viver em harmonia com ela, reconhecendo o direito à terra como garantia para o equilíbrio climático do planeta”.

E os números também mostram a importância das Terras Indígenas. Segundo a pesquisadora da rede Mapbiomas, Bárbara Costa, cerca de 95% da área de terras indígenas do Cerrado mantinha vegetação nativa em 2025.

Para efeito de comparação, mais da metade do Cerrado já foi desmatada ou alterada por ação humana até hoje. O bioma foi o mais afetado nos últimos três anos, segundo o Mapbiomas. Daí a importância das Terras Indígenas.

“Isso mostra que as terras indígenas, elas funcionam como uma importante barreira para conversão da vegetação nativa, porque além da conservação da biodiversidade, elas mantêm grandes áreas contínuas de vegetação. E isso é muito importante quando a gente está falando de conectividade da paisagem, de proteção dos recursos hídricos, armazenamento de carbono, mas também a manutenção ali dos próprios serviços ecossistêmicos do Cerrado”.

A pesquisadora Bárbara Costa aponta que mais de 80% do desmatamento no Cerrado ocorreu em imóveis rurais privados no ano passado. Pressão exercida, principalmente, pela atividade agropecuária.


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